Coluna Vem K!
Por: Karina Christina Souza
01/06/2026 - 11:23:08

Pertencimento é a sensação de fazer parte. É sentir-se aceito, reconhecido e valorizado por quem somos, sem precisar esconder nossas verdades ou fingir ser alguém diferente. É a certeza de que existe um lugar onde nossa presença importa e nossa ausência é sentida.

Essa necessidade acompanha o ser humano desde sempre. Ninguém nasce para caminhar sozinho. Precisamos de vínculos, de conexões, de relações que nos façam sentir vistos. Precisamos saber que fazemos parte de algo maior do que nós mesmos.

Talvez por isso uma das dores mais profundas seja a sensação de não pertencer. Estar cercado de pessoas e ainda sentir solidão. Participar de grupos e continuar se sentindo um estranho. Sorrir por fora enquanto, por dentro, existe um vazio difícil de explicar.

Muitas vezes confundimos pertencimento com aceitação. E, na tentativa de sermos aceitos, acabamos nos moldando às expectativas dos outros. Mudamos opiniões, escondemos sentimentos, silenciamos sonhos. Mas o verdadeiro pertencimento não exige máscaras. Ele acontece quando podemos ser autênticos e, ainda assim, encontrar acolhimento.

O pertencimento começa dentro de nós. Surge quando aprendemos a respeitar nossa história, inclusive os capítulos que gostaríamos de apagar. Quando entendemos que nossas imperfeições não diminuem nosso valor. Quando paramos de buscar aprovação em todos os lugares e passamos a construir uma relação mais gentil com quem somos.

Há um trecho da música "Tocando em Frente", de Almir Sater e Renato Teixeira, que traduz muito bem essa ideia:

"Cada um de nós compõe a sua história, e cada ser em si carrega o dom de ser capaz e ser feliz."

Cada pessoa tem sua própria trajetória, suas dores, suas conquistas e seus aprendizados. Não fomos criados para ocupar o lugar de ninguém. Fomos criados para descobrir o nosso.

O mundo atual, marcado por comparações e aparências, muitas vezes nos faz acreditar que pertencemos apenas quando somos admirados, seguidos ou aprovados. Mas pertencimento não tem relação com quantidade. Tem relação com profundidade. Não é sobre quantas pessoas nos conhecem, mas sobre quantas realmente nos enxergam.

Pertencer pode ser encontrar uma amizade que acolhe sem julgamentos. Uma família que oferece abrigo nos dias difíceis. Uma profissão que dá significado aos nossos talentos. Uma comunidade que compartilha valores semelhantes. Mas também pode ser algo ainda mais simples e poderoso: sentir-se em paz consigo mesmo.

Quando pertencemos a nós mesmos, deixamos de implorar espaço onde não somos valorizados. Aprendemos que não precisamos diminuir nossa luz para caber na vida de ninguém.

E talvez seja essa a grande lição: o pertencimento que procuramos no mundo começa quando reconhecemos nosso próprio valor.

Porque, no fim das contas, encontrar o nosso lugar não é descobrir onde os outros nos aceitam. É descobrir onde podemos existir por inteiro, com nossas virtudes, limitações, sonhos e verdades.

É nesse momento que o coração finalmente entende que chegou em casa. Mesmo sem ter saído de si.

Talvez porque, durante muito tempo, nos ensinaram que pertencer significa se encaixar. Mas não é. Se encaixar exige que a gente corte pedaços de si mesmo. Pertencer, ao contrário, acontece quando podemos ser quem somos sem pedir desculpas.

Porque quando a gente finalmente se encontra, deixa de procurar desesperadamente um lugar no mundo. O mundo passa a caber dentro daquilo que somos.

E então, sem perceber, chegamos em casa. Mesmo sem sair do lugar.

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Por: Karina Christina Souza
25/05/2026 - 11:11:00

Outro dia ouvi Fernando Mendes cantar: " Sorte tem quem acredita nela..."

E fiquei pensando em quantas vezes a vida endurece a gente sem que a gente perceba.

Há pessoas que deixaram de acreditar não porque são fracas, mas porque cansaram. Cansaram de esperar, de tentar, de se decepcionar. A realidade foi ficando pesada demais, prática demais, dura demais. E então passaram a chamar de “pé no chão” aquilo que, muitas vezes, já era apenas ausência de esperança.

Só que existe uma diferença silenciosa entre maturidade e desistência.

Maturidade é entender que a vida nem sempre entrega o que queremos no tempo que desejamos.

Desistência é parar de olhar para o amanhã com alguma expectativa de beleza.

Acreditar na sorte talvez não tenha nada a ver com superstição. Talvez tenha relação com disponibilidade para a vida. Porque quem acredita continua percebendo possibilidades. Continua enxergando encontros, recomeços, pequenos sinais. Continua tentando mais uma vez, mesmo carregando cicatrizes.

É como aquela mulher que voltou a estudar depois dos 50 anos, ouvindo de muita gente que “já passou da idade”, e mesmo assim conquistou o diploma que parecia impossível.

Ou o homem que recebeu tantos “nãos” no currículo que quase desistiu, mas insistiu até encontrar uma oportunidade que mudou completamente sua vida.

Ou ainda quem saiu de um relacionamento que destruiu sua autoestima e, mesmo desacreditado do amor, teve coragem de recomeçar emocionalmente.

De fora, muitos chamam isso de sorte.

Mas quem viveu sabe: houve medo, cansaço, noites difíceis e vontade de desistir. O que fez diferença foi não abandonar completamente a esperança.

Quem não acredita, fecha as janelas antes mesmo do vento chegar.

E isso me faz pensar que a sorte, muitas vezes, não escolhe as pessoas mais inteligentes, mais fortes ou mais preparadas. Às vezes ela encontra justamente aquelas que, apesar da dor, ainda conseguem manter alguma delicadeza dentro de si. Pessoas que ainda se permitem sonhar sem achar isso ridículo.

O mundo moderno nos ensinou a desconfiar de tudo. Dos sentimentos, das promessas, das pessoas e até de nós mesmos. Mas talvez viver também exija uma certa coragem de acreditar — não ingenuamente, mas humanamente.

Porque há algo profundamente triste em sobreviver sem esperar mais nada da vida.

No fundo, talvez a sorte não seja um acontecimento.

Talvez seja um estado de espírito.

Uma maneira de continuar dizendo “sim” para a vida, mesmo depois de tantos “nãos”.

E talvez seja exatamente isso que a música tenta nos lembrar: a esperança ainda encontra quem não fechou o coração para o impossível.

Luciene Nogueira

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Por: Karina Christina Souza
17/05/2026 - 12:25:55

Existe uma pergunta silenciosa que acompanha quase todo ser humano em algum momento da vida:

“Para que tudo isso?”

Ela aparece no meio da rotina automática, nos dias de cansaço extremo, nas conquistas que não preenchem, nos domingos silenciosos e até nos momentos felizes. Porque, no fundo, não basta apenas existir. A alma humana tem sede de sentido.

E talvez seja por isso que tantas pessoas estejam vivendo cansadas mesmo sem fazer esforço físico. O corpo até continua, mas algo dentro perdeu direção.

Fala-se muito sobre propósito como se ele fosse algo grandioso, quase cinematográfico. Como se toda pessoa precisasse nascer para mudar o mundo, criar algo extraordinário ou descobrir uma missão brilhante. Mas talvez propósito não seja fama, sucesso ou reconhecimento.

Talvez propósito seja aquilo que faz a vida ter significado mesmo nos dias comuns.

É acordar sabendo por quem ou pelo que vale a pena continuar.

É sentir que sua existência não está apenas ocupando espaço no mundo.

O problema é que vivemos uma época acelerada, imediatista e barulhenta. As pessoas querem respostas rápidas para perguntas profundas. Querem descobrir o propósito em um vídeo de poucos segundos enquanto ignoram o próprio silêncio interior.

Só que propósito não costuma gritar.

Ele sussurra.

Às vezes, ele aparece em uma profissão.

Outras vezes, em um filho, em uma causa, em um sonho antigo, em um talento esquecido ou até na forma como alguém escolhe tratar as pessoas todos os dias.

Nem sempre propósito é “o que você faz”.

Muitas vezes, é “quem você se torna enquanto vive”.

E há um detalhe importante: propósito não elimina a dor da vida. Pessoas com propósito também se cansam, choram, se frustram e pensam em desistir. A diferença é que elas conseguem encontrar razões para continuar mesmo nos dias difíceis.

Friedrich Nietzsche dizia:

“Quem tem um porquê enfrenta quase qualquer como.”

Talvez seja isso.

E, no fundo, a música já dizia algo parecido quando Cássia Eller cantou:

“Quando não tiver mais nada, nem chão, nem escada, escudo ou espada, o seu coração acordará.”

Porque propósito não é ter todas as respostas.

É ter algo dentro de si que ainda faz sentido continuar procurando.

No fim, a grande tragédia não é morrer.

É passar pela vida sem nunca ter vivido algo que realmente alcance o coração.

Luciene Nogueira

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Por: Karina Christina Souza
08/05/2026 - 08:05:45

Existe uma cobrança silenciosa acontecendo no mundo: a obrigação de estar feliz o tempo todo.

As pessoas aprenderam a esconder o cansaço atrás de fotos bonitas, sorrisos rápidos e frases motivacionais. Como se sentir tristeza fosse fracasso. Como se viver fosse manter uma felicidade constante, limpa, organizada e instagramável.

Mas não é.

A felicidade nunca foi moradia permanente. Ela é visita. Chega sem avisar, senta um pouco, ilumina a casa por dentro… e depois vai embora para que outros sentimentos também existam.

O problema começa quando transformamos a felicidade em meta absoluta. Porque aí qualquer dia comum parece insuficiente. Qualquer silêncio vira vazio. Qualquer dor parece sinal de que estamos vivendo errado.

E talvez uma das maiores maturidades da vida seja entender que paz vale mais do que euforia.

Nem todo dia será extraordinário. Nem toda manhã virá leve. Nem toda conquista será acompanhada de fogos internos.

Às vezes, felicidade é só conseguir respirar sem peso. Tomar um café em silêncio. Ouvir uma música antiga. Receber uma mensagem inesperada. Voltar para casa depois de um dia difícil e ainda encontrar em si algum afeto pela vida.

A necessidade desesperada de ser feliz o tempo inteiro tem adoecido muita gente. Porque transforma a existência em performance.

E viver não é performance.

A vida real tem dias cinzas, fases confusas, lutos invisíveis, medos que ninguém percebe. Ainda assim, existe beleza nisso tudo. Porque sentir também é prova de humanidade.

Talvez a pergunta não seja: “Como posso ser feliz sempre?”

Talvez seja: “Como posso viver de forma verdadeira, mesmo nos dias em que a felicidade não aparecer?”

Porque felicidade não é estado permanente. É instante. É respiro. É encontro.

E quem aprende isso para de perseguir uma vida perfeita… e começa, finalmente, a viver uma vida possível.

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Por: Karina Christina Souza
04/05/2026 - 11:22:54


Outro dia me peguei pensando em como a gente passa tanto tempo esperando algo acontecer.

Um momento certo, uma notícia boa, uma virada que mude o rumo das coisas.

Como se a vida, de verdade, estivesse sempre um pouco adiante.

E, enquanto isso, os dias vão acontecendo… silenciosamente.

Sem anúncio, sem espetáculo, sem grandes marcos.

O café da manhã apressado.

Uma conversa simples no meio do dia.

O fim de tarde que chega sem pedir licença.

Tudo tão comum… que a gente quase não vê.

Talvez o extraordinário não esteja escondido em grandes acontecimentos,

mas dissolvido nesses pequenos instantes que a gente atravessa no automático.

Porque existe uma sutileza na vida que não se impõe — ela se oferece.

Mas, para perceber, é preciso estar presente.

E presença, hoje, parece coisa rara.

A gente vive entre o que já passou e o que ainda não chegou,

sempre com a sensação de que falta alguma coisa.

Mas, às vezes, o que falta não é algo novo.

É atenção ao que já está.

E isso não exige grandes mudanças.

Exige pequenos gestos, quase invisíveis:

Pausar por alguns segundos antes de começar o dia, sem correr para o celular.

Prestar atenção de verdade em uma conversa, sem dividir a mente com mil coisas.

Sentir o gosto da comida, em vez de apenas engolir o tempo.

Perceber o caminho que você faz todos os dias — como se fosse a primeira vez.

Permitir-se alguns minutos de silêncio, sem a necessidade de preencher tudo.

São detalhes.

Mas é nos detalhes que a vida se revela.

O ordinário carrega uma beleza discreta.

Ele não chama, não disputa, não faz barulho.

Mas, quando a gente desacelera o olhar, ele revela.

E revela muito.

Talvez viver seja menos sobre colecionar grandes momentos

e mais sobre aprender a habitar os pequenos.

Porque, no fim,

não é que o extraordinário seja raro —

é que ele costuma chegar em silêncio.

E a pergunta que fica é:

você tem estado presente o suficiente para perceber?

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Por: Karina Christina Souza
25/04/2026 - 09:32:22

Ouvi essa frase outro dia, na voz de um cantor de arrocha — dessas que chegam sem avisar e ficam ecoando por dentro: viver é diferente de estar vivo. Simples, quase óbvia… mas difícil de ignorar.

A gente aprende cedo a contar os dias, cumprir horários, atender expectativas. E, sem perceber, passa a acreditar que preencher o tempo é o mesmo que dar sentido a ele. A vida avança, o corpo responde, a agenda se organiza — mas, em algum lugar mais profundo, algo permanece em silêncio, esperando ser escutado.

Estar vivo é um dado da existência. Não depende de esforço consciente: o coração bate, os olhos se abrem, o tempo segue seu curso.

Viver, no entanto, é uma escolha que nem sempre fazemos. É um movimento interno, quase imperceptível, de sair do automático e se colocar, de fato, dentro da própria vida.

Talvez por isso Sócrates tenha afirmado que “uma vida não examinada não vale a pena ser vivida.”

Examinar a própria vida não é buscar respostas definitivas, mas sustentar um olhar atento sobre si mesmo. É perceber quando se está apenas funcionando — e quando se está, de fato, sentindo.

Com o tempo, a gente desenvolve uma habilidade silenciosa de evitar esse encontro. Preenche os dias, ocupa os pensamentos, adia perguntas. E assim, quase sem perceber, transforma a rotina em um lugar seguro — ainda que vazio.

Porque viver exige presença.

E presença exige exposição.

É preciso suportar o que se revela quando a gente para: os incômodos, as ausências, os desejos não realizados, as escolhas que ficaram pelo caminho. Nem sempre é confortável. Mas é nesse desconforto que a vida, de fato, acontece.

Há dias em que sobreviver é o máximo que conseguimos — e isso também faz parte.

Mas quando a sobrevivência deixa de ser exceção e passa a ser regra, algo se perde. Não de forma grosseira, mas aos poucos, como quem se afasta de si sem perceber.

Viver talvez seja, então, esse retorno constante.

Um esforço silencioso de alinhar o que se faz com o que se sente.

De habitar o tempo em vez de apenas atravessá-lo.

E, no meio desse percurso, permanece um lembrete simples — quase óbvio, mas profundamente exigente — como nas palavras de Roberto Carlos:

“É preciso saber viver.”

Não como quem domina uma técnica,

mas como quem aceita o desafio de estar presente.

Porque, no fim, a vida não se mede apenas pelo tempo que passa,

mas pela consciência com que ele é vivido.

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