Por: Karina Christina Souza
21/10/2026 - 11:30:00

Como mulher e cidadã, acredito que a democracia se constrói não apenas nas urnas, mas também na maneira como aprendemos a conviver com as diferenças, respeitar a liberdade individual e reconhecer a dignidade de cada pessoa.

Minha formação jurídica me ensina a valorizar a Constituição, os direitos fundamentais e o Estado Democrático de Direito. Minha formação pedagógica me ensina que educar também é desenvolver o pensamento crítico, cultivar o respeito e compreender que a diversidade de ideias faz parte de uma sociedade democrática.

 

Por isso, faço questão de afirmar: meu voto é secreto, e não tenho obrigação de revelar minhas escolhas políticas para ninguém.

 

O artigo 14 da Constituição Federal assegura o voto direto e secreto, princípio fundamental para o exercício da democracia brasileira. Essa garantia protege a liberdade de escolha do cidadão, permitindo que cada pessoa exerça seu direito sem constrangimentos ou pressões indevidas.

Tenho meus valores, meus princípios e minhas convicções. Analiso, reflito e decido de acordo com minha consciência e com aquilo que considero melhor para o nosso país. Não preciso transformar minhas escolhas em exposição pública, declarar apoio a candidatos para provar coerência ou entrar em disputas políticas para demonstrar minha cidadania.

 

Como pedagoga, acredito que uma sociedade verdadeiramente democrática precisa aprender a discordar sem agredir, argumentar sem ofender e dialogar sem transformar diferenças de opinião em motivos para desrespeito.

Como advogada, reconheço a importância de defender direitos e respeitar as garantias constitucionais. Como mulher, exerço minha autonomia e valorizo minha liberdade de pensar, escolher e me posicionar sem precisar da aprovação alheia.

 

Como mulher católica, procuro orientar minha vida por valores como o amor ao próximo, a fraternidade, a responsabilidade e o respeito à dignidade humana. Minha fé não me afasta do diálogo; ao contrário, convida-me a reconhecer no outro uma pessoa que merece ser respeitada, mesmo quando pensa de maneira diferente da minha.

Como associada do Lions Clube Santa Cruz, reafirmo meu compromisso com o serviço, a solidariedade e a construção de uma sociedade melhor. Acredito que servir à comunidade também significa cultivar a empatia, promover a paz e compreender que nossas diferenças políticas não devem ser obstáculos à convivência respeitosa.

 

Essas dimensões da minha vida — a advocacia, a educação, a fé católica e o serviço voluntário — fazem parte dos valores que levo comigo como cidadã. Nenhuma delas exige que eu abra mão da minha liberdade de consciência ou revele minhas escolhas políticas. Pelo contrário: todas me convidam a agir com responsabilidade, respeitar a dignidade das pessoas e contribuir para uma sociedade mais justa, humana e democrática.

Não quero que a política partidária determine minhas amizades, destrua relações ou faça com que eu enxergue as pessoas apenas pelo candidato que apoiam. Ninguém se resume ao próprio voto, e as diferenças políticas não precisam nos afastar da civilidade, da empatia e do respeito mútuo.

 

Não preciso revelar meu voto para provar meu caráter. Não preciso expor minhas convicções para demonstrar minha cidadania. E não preciso concordar com todos para respeitar alguém.

É justamente por acreditar na democracia que faço um convite: vamos conversar, trocar ideias e defender nossas posições com argumentos, serenidade e respeito. Que saibamos ouvir antes de julgar, questionar sem humilhar e discordar sem ofender. Que a liberdade de expressão seja exercida com responsabilidade e que nenhuma divergência política seja motivo para ameaças, constrangimentos ou ataques pessoais.

 

Podemos pensar diferente e, ainda assim, construir pontes. Podemos defender candidatos distintos e continuar reconhecendo uns nos outros a dignidade que nos torna iguais perante a lei.

O diálogo respeitoso não exige que abandonemos nossas convicções; exige que reconheçamos no outro o mesmo direito de ter as suas.

 

Respeito o seu direito de escolher, mesmo que você pense diferente de mim. E espero que respeite o meu direito de manter minha escolha em sigilo.

Não é medo, vergonha ou ausência de posicionamento. É a compreensão de que a liberdade também consiste em decidir o que desejamos compartilhar.

 

Como advogada, defendo direitos. Como pedagoga, acredito na educação para a cidadania. Como mulher, exerço minha autonomia. Como católica, procuro viver os valores da fraternidade e do amor ao próximo. Como associada do Lions, acredito na força do serviço voluntário e na transformação que podemos promover quando colocamos o bem comum acima das diferenças. E, como cidadã, acredito que o fortalecimento da democracia começa quando cada um compreende seus direitos e respeita os direitos dos demais.

Meu voto é secreto. Minha consciência é livre. Meu compromisso é com a democracia. E minha disposição para o diálogo permanece aberta, desde que o respeito seja o ponto de partida.

 

Que possamos fazer da política um espaço de participação consciente, e não de hostilidade; de diálogo, e não de imposição; de cidadania, e não de divisão.

Porque pensar diferente é um direito. Respeitar as diferenças é maturidade. E dialogar com respeito é um compromisso de todos nós.

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