
A implantação de novos serviços ligados à segurança e à organização do trânsito na cidade de Eunápolis, com a criação da Guarda Municipal e a Superintendência de Trânsito, e das funções de guarda municipal e fiscal de trânsito, tem sido acompanhada de inúmeros conflitos, e tornado essas novas profissões, de risco, apesar de suas atribuições que são apenas de orientar os cidadãos, motoristas e proteger o patrimônio público, contribuindo também, para a segurança pública.
Nos últimos meses, incidentes graves foram noticiados na imprensa local, como um atentado a tiros contra um veículo da Guarda Municipal, em agosto do ano passado, e uma ameaça de morte sofrida por um guarda municipal, também no ano passado, cujo autor foi condenado a pagar multa de R$ 678,00.
Esses são apenas dois dos inúmeros conflitos que ocorrem quase diariamente na cidade, e, no entendimento desses profissionais, têm como causa, “o cidadão estar acostumado a não ser cobrado”, como afirmou um guarda que não quis ser identificado.
Essa situação, de acordo com o que a reportagem ouviu em conversa com guardas municipais, ocorre com gente de todas as camadas sociais. De acordo com relatos, um guarda abordou um policial rodoviário federal que fazia fila dupla esperando a esposa que fazia compras em uma loja, e ao orientá-lo teria sido xingado. “Gente que se diz ser educada, considerada de bem, da sociedade, nos desrespeita; uns dizem simplesmente, então me multa, desafiando, sabendo que a gente não pode multar”, desabafa outro guarda.
Também os fiscais da Superintendência do Trânsito, fazem reclamações mais ou menos iguais com relação às pessoas de uma forma geral. O rico, de acordo com o que a reportagem apurou, vem das ações que coíbem o transporte que uns consideram alternativo e eles denominam de clandestino. Segundo Francisco Alves S. Neto, coordenador de Fiscalização, há “um alternativo” que carrega no carro, um bastão de basebool, outro – que está sendo investigado pela polícia – estaria levando, no carro, um revólver, e já teria ameaçado fiscais.
Mas, por parte dos cidadãos, há também reclamações. Segundo algumas pessoas ouvidas pela reportagem, há excessos, cometidos pelos guardas municipais, que estariam extrapolando as suas atribuições, e até ameaçando pessoas. “Já vi um guarda municipal usando uma soqueira”, afirmou um senhor que também não quis ser identificado. Os guardas negam.
A reportagem tentou falar pelo telefone celular, com o capitão Josival, coordenador da Guarda Municipal, para saber se tem conhecimento de informações sobre excessos que tenham sido cometidos por guardas, e possíveis punições, bem como o que tem sido feito pela corporação para oferecer mais segurança ao efetivo. Porém, não obteve êxito