Por: Helio Amorim
24/10/2013 - 00:41:25

Agora se apoderam de grife internacional que a mídia acolhe e divulga, garantindo um charme sinistro na quebradeira: são blackblocs, assim batizados à revelia pela mídia para inseri-los em movimento maior internacional, vestem-se de preto, aparentemente sob comando difuso e anônimo das redes sociais. Esse contingente enlouquecido dá o tom da partitura insana. Não têm reivindicações nem discursos, nada propõem, apenas destroem e quebram vitrines, caixas de bancos, sinais de trânsito, queimam carros e ônibus mas sequer transpiram reivindicações.

A repressão policial se manteve tímida por meses, sem encontrar nos seus manuais instruções para ações eficazes contra os infiltrados. Somente nestes dias há sinais de novas estratégias de comando, com cerco e prisão de grande número de manifestantes portadores de paus e pedras, ferramentas de destruição de vitrines e depredação de equipamentos urbanos.

A repressão policial se manteve tímida por meses, sem encontrar nos seus manuais instruções para ações eficazes contra os infiltrados. Somente nestes dias há sinais de novas estratégias de comando, com cerco e prisão de grande número de manifestantes portadores de paus e pedras, ferramentas de destruição de vitrines e depredação de equipamentos urbanos.

As manifestações são legítimas mas vulneráveis a infiltrações.

Se configurado caso a caso a formação de quadrilha nesses episódios, a prisão é agora inafiançável. Os presídios já recebem os primeiros hóspedes. Dor de cabeça para os pais pelos próximos anos e risco fatal em reincidências de maus comportamentos.

Na margem oposta, os governantes devem convidar os manifestantes para diálogo aberto e honesto, expondo-se a críticas e vaias, discursos ferozes, acolhidos com robusto respeito democrático para que as contestações sejam ouvidas e compreendidas. Se há limites insuperáveis para o atendimento de reivindicações, sejam apresentadas demonstrações claras e insofismáveis, com números e argumentos compreensíveis.

Abram-se gabinetes e formem-se comissões de negociações transparentes que possam vasculhar os dados dos orçamentos públicos para a busca das melhores soluções viáveis. A movimentação das ruas ajudará a motivar esse entendimento que se faz em mesas de negociação: não é no calor da passeata que as soluções se concretizam. Podem mesmo dificultar, pelas infiltrações e destruição selvagem, o desarmamento de espíritos para que o racional comande o emocional da busca da paz possível.

Cabe também valorizar mais os sindicatos dos manifestantes, como legítimos portadores de representação para negociações, com apoios jurídicos e políticos, que complementam o cenário das ruas. Essas estruturas sindicais existem para isso, mas dependem da atuação persistente de seus parceiros trabalhadores nas suas assembleias e convenções, para que não se deixem sufocar pela acomodação e carreirismo na militância sindical. Também nesses espaços, é preciso vivenciar a democracia e exorcizar o “peleguismo”.

Winston Churchill, primeiro ministro britânico durante a segunda guerra mundial, disse que “a democracia é o pior dos regimes, exceto todos os outros”... Portanto, vamos seguir usufruindo essa riqueza que nos foi roubada durante 21 anos de escuridão.

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