Por: Curia Diocesana
22/05/2012 - 00:00:00

"Eu não creio, mas agora creio que vocês creem." Esta frase foi dita pelo preso político, comunista e ateu Diógenes de Arruda Câmara, na Páscoa de 1970. Ele estava preso por atividades políticas, juntamente com muitos outros, inclusive um grupo de católicos e frades dominicanos. Eram os tempos da Ditadura Militar e ele tinha acabado de assistir à Missa de Páscoa que os católicos haviam celebrado.

Diógenes não acreditava, mas ficou impressionado com a força da fé dos que estavam celebrando a Páscoa naquela situação, absolutamente adversa. Os tempos mudaram e, talvez, nunca encontremos ateus convictos nos dias atuais. Existe uma fé difusa, uma crença num Deus diluído nas forças cósmicas ou num elemento cultural. Nada mais que isso. Uma fé assim não toca a vida, não influencia as tomadas de decisão, não repercute no cotidiano.

Mas conosco deve ser diferente. Estamos vivendo um momento adverso para o exercício de uma fé profunda. As formas de ateísmo mudaram, mas permanecem presentes e exigem de nós uma postura de fé de tal forma autêntica e profunda que consiga impressionar mesmo a quem não crê no que nós cremos.

Como será bonito quando novos ateus disserem de nós o que Diógenes disse daqueles cristãos católicos nos porões da Ditadura! O nosso testemunho precisa de uma eloquência que toque o coração até de quem não crê. Esta será a atração da qual o Papa Bento XVI falava em sua homilia durante a Missa de abertura da V CELAM, em Aparecida. Devemos ser como a luz que atrai os mosquitinhos durante a chuva, e essa luz deve ser uma vida que reflita sinais da fé professada.

Tudo o que a Igreja faz por meio de suas pastorais quer ser apenas isso: o testemunho de uma Igreja viva, de pessoas que têm fé e buscam vivê-la no seu cotidiano.

Nosso empenho pastoral, nossas celebrações, nossos encontros, nosso pensar e nosso agir estão presentes na vida cotidiana de pessoas que buscam fazer a vontade de Deus nas pequenas e grandes coisas, onde quer que estejam. Não queremos ser letra morta. Nosso sonho é pulsar uma vida de fé que valha a pena ser mostrada, potencializada.

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