Uma aluna cadeirante foi morta na manhã de hoje em um ataque a uma escola municipal no bairro de São Pedro, em Barreiras (BA). Segundo a Polícia Militar, o responsável pela morte pulou o muro por volta das 7h20 e atacou a vítima com uma arma branca e com um disparo de arma de fogo. A prefeitura da cidade afirmou que ele tem 14 anos e está em estado grave após ser baleado.

A jovem, identificada como Geane da Silva de Brito, 19, morreu no local. Ela era aluna do 9º ano do ensino fundamental. Ainda não há informações se outras pessoas ficaram feridas durante o ataque.

O atirador é um adolescente e tentou fugir da unidade de ensino, que é conveniada à Polícia Militar, mas foi atingido por um disparo de arma de fogo que, segundo a polícia, partiu de uma terceira pessoa ainda não identificada.
Ele foi socorrido pelo Samu 192 (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e está internado. Não há detalhes sobre o estado de saúde dele. A garota morava no assentamento Ilha da Liberdade e tinha seis irmãos.
O atirador era estudante da escola, mas não vinha frequentando o local. De acordo com prefeitura de Barreiras, essa informação ainda está sendo confirmada, mas já se sabe que ele tem 14 anos e deu entrada em estado grave no Hospital Geral do Oeste.
Com o adolescente foi apreendido um revólver calibre 38, duas armas brancas e uma "aparente" bomba caseira. O material foi apresentado na 11ª Coordenadoria Regional do Interior. As equipes da Polícia Civil estão investigando o caso.
De acordo com a prefeitura, na escola, a jovem morta contava com uma cuidadora específica para auxiliá-la em suas atividades.
Em nota, a Secretaria de Educação, Cultura, Esporte e Lazer lamentou a morte da estudante e a classificou o ataque como uma "tragédia inimaginável".
De acordo com a pasta, seu corpo técnico e a PM acompanham o caso e prestam apoio e assistência aos estudantes e seus familiares com toda a responsabilidade que a situação requer. "Em tempo, solidarizam-se com a família da aluna vitimada, expressando os mais profundos sentimentos neste momento de profunda dor e consternação", diz a nota.
Ataque foi anunciado dias antes: 'se matar 2, já fico feliz'
O atirador anunciou nas redes sociais, dias antes, detalhes do que estava planejando para o dia da ação, que incluía um massacre aos colegas antes de ser morto em ação. O perfil em que ele propagava ódio foi suspenso pelo Twitter nesta segunda-feira (26) e o conteúdo, apagado.
Na conta que usava, o garoto mostrava o rosto, criticava professores, fazia comentários xenófobos, assumia ter ódio para liberar e ainda demonstrou tristeza pela reação esperada de sua família, uma vez que acreditava estar fadado a ser morto na ação. "Se eu matar pelo menos dois, já vou estar feliz", escreveu.
Na rede, em que era seguido por 186 usuários, o adolescente publicou 103 vezes desde setembro de 2021 — a maior parte desde que começou a estudar na Escola Municipal Eurides Sant'Anna e chegou a se descrever como "exército de um homem só". Dias antes do ataque na unidade de ensino, ele passou a descrever o que pretendia fazer com os colegas e reagir após a ação. "Eu mal consigo imaginar o dia, só de pensar no som dos meus passos ecoando no corredor, o som da arma engatilhando, a adrenalina correndo pelas veias e os pensamentos que virão na hora, percebo o quão bom seria saber que não sou o único a carregar esse ato no nome", escreveu nove dias antes da invasão.
"É realmente algo bem obscuro, me dá um sentimento estranho, eu não consigo descrevê-lo bem, mas sua intensidade é alta. Acabei me encurralando entre uma escola **** e uma corda para eu me enforcar, mas fazer o que, né? Bora lá", continuou no mesmo dia.
"Eu só quero mesmo que o dia chegue logo, apesar de tudo. Já perdi a paciência com tudo, estou desgastado, apenas esperando a hora de atirar em uns merdinhas (sic). Tô perdendo a capacidade de achar graça nas coisas, apenas sinto tédio, é como se eu estivesse em uma sala de espera", completou.
No dia 22, ele avisou: "O dia do massacre está chegando. Nos últimos três anos da minha vida, não teve um em que não pensei em quando isso iria chegar, e aqui estamos. Isso não pode dar errado, não posso falhar, não importa o que aconteça".
Ainda no mesmo dia, ele acrescenta: "Nem tô conseguindo sentir mais nada sobre isso, não sinto felicidade, tristeza, nervosismo, nem nada parecido. Acostumei tanto com a ideia que ela nem tem mais um peso emocional".
O perfil em que ele propagava ódio foi suspenso pelo Twitter nesta segunda-feira (26) e o conteúdo, apagado.
Entre as mensagens, o adolescente ainda lamenta o próprio fim na ação. "E ainda morrerei sem deixar meus genes adiante, ou seja, matarei também meus genes com esse ato. É uma pena, de fato, mas coisas maiores estão em jogo, não posso e nem quero desistir agora".
Em outra postagem, ele faz trocadilho preconceituoso por estar na Bahia. "F*** que irei morrer no 'merdeste' em uma escola ferrada com uns merdinhas, não é nem um pouco digno, mas passar os últimos 10 minutos da minha vida naquele lugar é o preço que tenho que pagar".
Está na hora da penitência, de pagarem por tamanha imoralidade, de serem executados e enviados para o lugar feito para vocês e com vocês. Não estou com as munições, terei que ir pique samurai. Se eu matar dois, já fico feliz.
No dia 25, domingo, ele postou imagens segurando uma faca e um machado, fornecidos por alguém a quem ele se refere como Comodo. Já com o rosto coberto com o capuz preto que o faria parecer um "ninja". "Literalmente vou para lá igual um ninja e nem planejei isso".
Horas antes do crime, o adolescente faz as últimas postagens. "Já estou com tudo comigo, agora é só esperar. Tudo pode acontecer nas próximas horas", escreve. Por fim, registra: "Irá acontecer daqui a 4 horas e eu estou bem de boa. Estou tão calmo, nem parece que irei aparecer em todos os jornais hoje".
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