
Nos doze meses do ano de 2013, 64 novos casos de Aids foram registrados em Eunápolis, de acordo com dados o Sistema Nacional de Notificação. Dados do Programa Municipal de DST/Aids, entretanto, apontam apenas 39 novos casos da doença no município.
Mas essa diferença nos números não significa erro de um dos órgãos. É inteiramente normal, como esclareceu á reportagem Maryleen Lacerda S. Teodoro, diretora do Programa no município.
A diretora explicou que muitas pessoas, por opção própria, preferem fazer o teste/exame, fora da cidade onde moram, apesar de saberem que há sigilo total sobre esses registros.
Essa informação foi confirmada pela reportagem que, para saber mais sobre essa situação, da qual a diretora evitou dar detalhes, falou com um profissional da área que já trabalhou na Secretaria Municipal de Saúde. Nossa fonte informou que as pessoas das classes: media e média-alta não costumam fazer esse exame/teste na cidade onde residem, e mesmo em outra cidade, quase sempre procuram uma clínica particular.
Assim, os dados do Sistema Nacional de Notificação registram casos de Aids de pessoas residentes em Eunápolis, mesmo que o diagnóstico de soro positivo seja dado por um médico em São Paulo, ou Salvador, por exemplo, onde a pessoa vá fazer o exame/teste. Dessa forma, os números do Sistema Nacional são sempre superiores aos do Programa de DST/Aids do município.
Apesar desse número que, à primeira vista parece ser alarmante, Maryleen afirmou que essa quantidade de novos caos, em Eunápolis, está praticamente estabilizada em menos de 300. Atualmente são 297 soro positivos. “O ideal é que haja uma diminuição, mas não havendo aumento, não é tão ruim”, ressaltou a diretora.
Os números do Programa Municipal indicam que, nos últimos 10 anos, as pessoas do sexo masculino deixaram de ser maioria dos infectados pela doença. “Quando o programa foi implantado aqui, em 2003, havia dois casos de homens soro positivo, para uma mulher”, afirmou, mostrando um gráfico que mostra que, dos 39 novos casos do ano passado, 26 já são mulheres e apenas 13, homens.
Outra informação importante é que, pelos depoimentos dados pelas pessoas, conclui-se que, entre as pessoas adultas, em 100% dos casos, a transmissão se dá pela relação sexual.
“Nós não estamos crescendo [em quantidade de casos], o que parece é que as pessoas estão ficando mais alertas, se cuidando mais, e estamos diagnosticando mais casos, até porque os testes estão mais acessíveis”, avaliou Maryleen. Como prova disso, mostrou o quantitativo de testes feitos no ano passado: 1.257 somente no programa, e outros 467 em campanhas. Números nunca antes, alcançados.