Renata Bruno, médica gastroenterologista (Acervo pessoal)
O câncer gástrico, também conhecido como câncer de estômago, permanece entre os desafios da saúde pública no Brasil. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio 2026–2028, são esperados aproximadamente 22.530 novos casos da doença por ano no país, sendo 13.830 em homens e 8.700 em mulheres. “É importante lembrar que o câncer gástrico continua sendo uma doença relevante no Brasil e que, em muitos casos, pode se desenvolver de forma silenciosa, dificultando sua identificação nas fases iniciais”, alerta a médica gastroenterologista Renata Bruno, da Clínica Cliagen (Grupo CITA).
O câncer gástrico se desenvolve a partir de alterações malignas nas células do estômago, sendo o adenocarcinoma o tipo mais frequente. A doença acomete predominantemente pessoas acima dos 50 anos, especialmente homens, com maior frequência entre os 60 e 70 anos. Entre os principais fatores de risco estão a infecção pela bactéria Helicobacter pylori (H. pylori), o histórico familiar de câncer gástrico, o tabagismo, o consumo de bebidas alcoólicas e a alimentação rica em sal e alimentos conservados em sal. O excesso de peso também está associado ao aumento do risco de determinados tipos de câncer gástrico. A infecção pelo H. pylori merece atenção especial, pois está associada ao desenvolvimento de alterações inflamatórias crônicas na mucosa do estômago, que, em determinados pacientes, podem evoluir para lesões precursoras e câncer. A identificação e o tratamento da infecção, quando indicados, são medidas importantes para a redução desse risco.
Nos estágios iniciais, o câncer gástrico pode não apresentar sintomas ou provocar manifestações discretas e inespecíficas, frequentemente confundidas com problemas digestivos comuns. Com a progressão da doença, podem surgir dor ou desconforto persistente na região superior do abdômen, sensação de saciedade após pequenas refeições, perda de apetite, náuseas, vômitos, emagrecimento sem causa aparente, anemia e cansaço frequente. Em algumas situações, também podem ocorrer dificuldades para engolir e sinais de sangramento digestivo.
“Embora esses sintomas possam estar relacionados a diversas doenças benignas, é fundamental investigar manifestações persistentes, especialmente quando acompanhadas de sinais de alerta, como perda de peso involuntária, anemia ou sangramento digestivo. A avaliação médica permite identificar a necessidade de investigação e favorece o diagnóstico oportuno”, destaca Renata Bruno.
A endoscopia digestiva alta é o principal exame utilizado para identificar alterações suspeitas no estômago. Durante o procedimento, é possível realizar biópsias, cuja análise histopatológica permite confirmar o diagnóstico. O diagnóstico em estágios iniciais amplia as possibilidades de tratamento e pode aumentar as chances de cura. As opções terapêuticas variam conforme o estágio da doença e as características do tumor, podendo incluir ressecção endoscópica em casos precoces selecionados, cirurgia, quimioterapia, imunoterapia e terapias-alvo. A radioterapia também pode ser utilizada em situações específicas, conforme avaliação da equipe responsável.
“A prevenção envolve medidas como não fumar, evitar o consumo de bebidas alcoólicas, manter uma alimentação equilibrada, com frutas e vegetais, reduzir a ingestão excessiva de sal e investigar e tratar a infecção pelo H. pylori quando houver indicação médica. Pessoas com histórico familiar de câncer gástrico ou alterações precursoras na mucosa do estômago também merecem uma avaliação individualizada”, orienta a gastroenterologista.
A especialista ressalta que a realização de endoscopia como exame de rastreamento não é indicada indiscriminadamente para toda a população assintomática. A necessidade de investigação ou acompanhamento deve considerar os sintomas, os fatores de risco e o histórico clínico de cada paciente. “O mais importante é compreender que nem todo desconforto digestivo representa uma doença grave, mas sintomas persistentes ou sinais de alerta não devem ser negligenciados. A informação, a prevenção e a investigação adequada são fundamentais para melhorar as possibilidades de diagnóstico e tratamento”, conclui Renata Bruno.
Grupo CITA
O Grupo CITA – Centros Integrados de Terapia Assistida é uma holding de clínicas especializadas no cuidado de doenças raras e autoimunes e tem como missão cuidar da saúde das pessoas e das pessoas da saúde, oferecendo um atendimento humanizado e integral, com suporte interdisciplinar que abrange prevenção, diagnóstico e tratamento. Com uma equipe altamente qualificada e presença nas cidades de São Paulo e Salvador, o grupo se destaca pelos altos padrões de qualidade, excelência em gestão e segurança no atendimento médico, contando com selos de certificação e acreditação ONA. Na capital paulista, integra o Grupo CITA a clínica EV CITI e, em Salvador, as unidades Novaimuno, IBIS e Cliagen. Atuando em especialidades como Reumatologia, Dermatologia, Neurologia, Gastroenterologia e Alergologia, o Grupo CITA reafirma seu propósito de transformar a experiência em saúde, unindo ciência, inovação e acolhimento para melhorar a qualidade de vida das pessoas.