Por: Helio Amorim
09/10/2014 - 01:37:50

Refletindo sobre os aspectos do sistema econômico atual, o Papa bateu o pé na exploração do desequilíbrio internacional dos salários dos trabalhadores, que afeta milhões de pessoas que vivem com menos de dois dólares por dia.

''Pleiteia-se aqui - disse - o problema de criar mecanismos de tutela dos direitos trabalhistas e do meio ambiente, frente a uma ideologia consumista, que não se sente responsável nem pelas cidades nem pela natureza. Por outra parte, o crescimento da desigualdade e da pobreza coloca em perigo a democracia inclusiva e participativa, que sempre pressupõe uma economia e um mercado que não exclua e que seja justo''. ''Trata-se, pois, de superar as causas estruturais da desigualdade e da pobreza'', continuou, recordando que em sua exortação apostólica Evangelii gaudium assinalou três instrumentos básicos para a inclusão social dos mais necessitados, como a educação, o acesso à atenção sanitária e o trabalho para todos.

''Em outras palavras – explicou – o Estado de direito social não deve ser desmantelado, em particular o direito fundamental ao trabalho. Isso não pode ser considerado como uma variável dependente dos mercados financeiros e monetários. É um bem fundamental por quanto se refere à dignidade, à formação de uma família, à realização do bem comum e da paz. A educação e o emprego, o acesso ao bem estar para todos são elementos chave para o desenvolvimento a justa distribuição dos bens, tanto para alcançar a justiça social, como para pertencer à sociedade e para participar livre e responsavelmente da vida política, entendida como a gestão da ''res publica''.

“As ideias que pretendem aumentar a rentabilidade às custas da restrição do mercado de trabalho, que criam novos excluídos, não são conformes com uma economia a serviço da humanidade e do bem comum, nem com uma  democracia inclusiva e participativa''.

 

Regressando à encíclica ''Caritas in veritate'', o Papa recordou: ''Um amor cheio de verdade é, efetivamente, a base sobre a qual construir a paz, hoje tão desejada e tão necessária para o bem de todos. Permite superar fanatismos perigosos, conflitos pela posse dos recursos, migrações de proporções bíblicas, as pragas perduráveis da fome e da pobreza, o tráfico de pessoas, a injustiça e as desigualdades sociais e econômicas, e o desequilíbrio no acesso aos bens coletivos''. A Igreja – finalizou – está sempre a caminho, em busca de novas formas de anunciar o Evangelho também no âmbito social''.

 

 

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