
Em preparação a esse mergulho na realidade das famílias concretas, até agora ideologizada nos modelos tradicionais em crise, circulou mundo afora um extenso questionário do Vaticano com dezenas de perguntas provocativas a serem respondidas, não somente mas de preferência por leigos, especialmente leigos casados.
No Brasil há algo não claramente explicado nessa consulta inédita de autoridades eclesiásticas aos leigos de todo o planeta, circulando em sete idiomas, no final do ano passado. Pesquisamos entre movimentos de leigos e constatamos um estranho desconhecimento generalizado sobre a pesquisa nas suas bases.
Recentemente, acessamos no site o extenso documento em que o Vaticano sintetiza, com isenção, as respostas recebidas. É uma peça de fôlego e será o documento de trabalho do sínodo, enviado a todos os padres sinodais para que o estudem com antecedência, com lideranças leigas e religiosas, e se sintam seguros para opinar e votar. São esperadas mudanças de atitudes da Igreja frente a questões que não podem ser fechadas e práticas que se mostram excludentes, afastando cristãos da vida eclesial. O documento-síntese acolhe tendências e propostas de mudanças em posturas eclesiásticas tradicionais. Remete a revisões de orientações doutrinárias e pastorais ainda vigentes.
Como simples exemplos, o que ocorre na questão do divórcio e novo casamento dos divorciados. Vivem uma situação juridicamente regular, embora não acolhidos como tal pela Igreja, que não reconhece o vínculo sacramental, vedando-lhes o acesso à eucaristia. Pode chegar a um terço os casamentos que terminam em separações informais ou divórcios legais e têm filhos em segunda união.
Não tem sido expressivo o resultado dos discursos sobre a fé no âmbito das famílias que se assumem como cristãs. As diferenças culturais entre as gerações no mundo moderno tornam extremamente difícil essa transmissão de conceitos sobre casamento e família na visão integral dos cristãos adultos na fé.
O desafio de hoje é a criação e manutenção de um modelo de relacionamento parental amoroso e respeitoso, sem imposições autoritárias, mas de transmissão de valores humanos e cristãos, sendo o adulto capaz de acolher as diferenças e entender o ritmo normal de maturação do adolescente e do jovem, sem criar barreiras para chegar à etapa de relações adultas entre pais e filhos.
O desdobramento dessa vivência intrafamiliar será o desafio de atuação social e política de seus membros para colaborar na construção de um mundo mais justo e solidário como prenúncio do Reino, assim na terra como no céu.
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