
Pedimos a Deus que atenda às preces pela Paz e pelo respeito aos Direitos Humanos em todos os países que se encontram nos plenários das Nações Unidas e naqueles que ainda permanecem ausentes desse foro de solidariedade e cooperação.
E que essa Paz se faça presente em todas as famílias brasileiras e em todos os espaços em que nos movemos, neste Natal e no Ano que vai chegando.
Guerras silenciosas
Aproximadamente 2 bilhões de pessoas no mundo carecem das vitaminas e minerais essenciais para gozar de boa saúde. A fome e a desnutrição matam progressivamente mais pessoas a cada ano do que a Aids, a malária e a tuberculose juntas. Os dados mundiais continuam sendo dramáticos: 870 milhões de pessoas passam fome; as mulheres, que constituem um pouco mais da metade da população mundial, representam mais de 60% das pessoas com fome; a desnutrição aguda mata a cada dia 10 mil crianças.
Esse último dado, por si mesmo, é escandaloso e seria suficiente argumento para transformar desde a raiz o atual sistema alimentar, cuja iniquidade gera mais mortes do que qualquer uma das guerras atuais. Ou, talvez, estamos ante outro tipo de guerra, a guerra silenciosa.
Eduardo Galeano, em seu livro ‘Los hijos de los días’ (Os filhos dos dias), fala das guerras caladas. Denuncia que a pobreza, com todas as suas sequelas, não estoura como bombas, nem soa como os tiros; porém, da mesma forma, produz morte. E, com agudeza crítica, ressalta que "dos pobres, sabemos tudo: em que não trabalham, o que não comem, quanto não pesam, quanto não medem, o que não possuem, o que não pensam, que não votam, em que não creem... Somente nos falta saber porque os pobres são pobres. Será porque sua nudez nos veste e sua fome nos dá de comer?”.
Na América Latina, a brecha entre ricos e pobres aumentou: 20% da população mais rica têm uma média de ingresso per capita quase 20 vezes superior ao ingresso dos 20% mais pobres. O fato de que 47 milhões de pessoas sofram fome na região se explica em boa medida por essa concentração da riqueza tão desigual quanto injusta.
Por outro lado, afirma-se que para salvar aos que padecem fome no mundo são necessários uns 30 bilhões de dólares anuais. Uma cifra pequena se a compararmos com os gastos militares dos EUA em 2012: 682 bilhões de dólares.
Está claro que no mundo se considera mais importante a segurança militar do que a segurança alimentar, os gastos para a guerra do que os gastos para a vida. Outra cifra escandalosa é representada pelo 1,3 bilhões de toneladas de alimentos que, a cada ano, são jogadas no lixo, em vez de ser utilizadas para reduzir a fome e a má nutrição.
Esses dados sobre a fome, a má nutrição, os gastos militares, a concentração de riqueza e o desperdício de alimentos remetem, direta ou indiretamente, à morte. Nesse contexto, resultam proféticas e cheias de esperanças as palavras de Jesus de Nazaré: “Ditosos vocês que agora têm fome, porque serão saciados... Porém, ai de vocês, os que agora estão saciados, porque passarão fome”.
Aqui, nos deparamos com um primeiro passo para carregar com a realidade dos que passam fome e má nutrição: seu clamor foi escutado e foram tirados de sua inexistência, tornando central sua situação; condições necessárias para decidir-se a trabalhar pela justiça e pôr fim às guerras silenciosas do presente.
Por Carlos Rayala Ramirés
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