Por: Bispo D. Edson de Oliveira
22/08/2012 - 00:00:00

Mais uma vez, somos solicitados a cumprir com uma de nossas responsabilidades de cristãos e cidadãos brasileiros: escolher os candidatos para prefeitos (as) e vereadores (as) de nossos municípios. Se a política é a maneira privilegiada de praticar a caridade e de buscar o bem comum, como ensinava o Papa Paulo VI, esta é uma ocasião para demonstrar as quantas andam as nossas convicções religiosas e o nosso amor à pátria, votando em candidatos competentes e honestos.

Em mensagem publicada no final de sua Assembleia anual, em Aparecida, no mês de abril, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil lembra que "as eleições municipais têm uma característica própria em relação às demais por colocar em disputa projetos que discutem os problemas mais próximos do povo: educação, saúde, segurança, trabalho, transporte, moradia, ecologia e lazer". "Trata-se, por isso, de um processo eleitoral com maior participação da população, já que os candidatos são mais visíveis no cotidiano da vida dos eleitores".

Quanto aos candidatos, a CNBB é clara e incisiva: "Eles precisam ter seu histórico de coerência de vida e discurso político referendados pela honestidade, pela competência, pela transparência e pela vontade de servir ao bem comum". Os valores éticos devem ser o farol a orientar os eleitores, em contínuo diálogo entre o poder local e suas comunidades".

Por isso, é motivo de dor e decepção constatar que, apesar do grande número de eleitores que se consideram cristãos, num momento tão importante como é a eleição muitos esquecem suas obrigações e votam em pessoas sem nenhuma condição para assumir cargos públicos. Votam nelas por interesses particulares: porque são parentes ou amigos, porque delas recebem favores, numa palavra, porque se deixam comprar ou vender. Se quisermos ser governados por políticos honestos, talvez devêssemos baixar uma nova lei: só podem votar eleitores honestos! Se há políticos corruptos, não poucas vezes é porque foram eleitos por votantes corruptos!

Como deve ser, então, o político para merecer o voto de um cristão digno desse nome? "Autêntico político é quem se coloca 24 horas por dia a serviço do bem do país, e não quem faz da política um meio de se enriquecer ou de atender apenas aos interesses de seu grupo, exercendo uma política fisiológica e corporativista". "Político de verdade é quem pensa no bem da sociedade, especialmente dos mais pobres e necessitados".

"Há um desejo de toda a população de que a Ficha Limpa não seja aplicada só aos candidatos a prefeito (a) e vereador (a), mas a todos aqueles que passarão a ocupar um cargo. O bom prefeito (a) ou vereador (a) deve escolher também colaboradores competentes, honestos, capazes de ajudá-lo no exercício de sua função".

Para serem coerentes com sua fé, em cada município, os cristãos devem unir suas forças e exigir que a lei da Ficha Limpa seja aplicada não apenas para prefeitos e vereadores, mas para todas as pessoas convidadas a ocupar cargos de confiança e responsabilidade no Poder Executivo e Legislativo - como, aliás, muitos municípios já conseguiram. Mas isso jamais acontecerá se, no dia da eleição, nos deixarmos guiar por critérios indignos, como seria votar num candidato só porque é do nosso partido, faz belas promessas ou tem muito dinheiro...

Com o intento de ajudar os candidatos de seu município a tomar consciência da missão que se dispõe a assumir, cada comunidade paroquial os convide para momentos de reflexão, inclusive, se for o caso, Com a presença da população.

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