Por: UOL
20/12/2019 - 10:02:54

Em uma conversa no aplicativo de mensagens WhatsApp, o policial militar reformado Fabrício Queiroz indica que integrantes da família Bolsonaro tinham conhecimento do fato de que uma das assessoras nomeadas por Flávio Bolsonaro na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio) era casada com o ex-PM Adriano Magalhães da Nóbrega, o Capitão Adriano, chefe da milícia do Rio das Pedras, o Escritório do Crime.

O diálogo é citado pelo MP (Ministério Público) do Rio no pedido de medidas cautelares contra Flávio, Queiroz e outros alvos investigados por participarem de suposto esquema de rachadinha no gabinete do filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em seus mandatos como deputado estadual. O diálogo citado pelo MP é entre Queiroz e Danielle Mendonça da Costa, ex-mulher de Adriano.

As provas foram obtidas pelo MP na Operação Intocáveis, deflagrada pelo MP e pela Polícia Civil em fevereiro deste ano. A ação, que apreendeu o celular de Danielle, tinha como objetivo prender os líderes do grupo miliciano. Desde então, Adriano está foragido da Justiça. Recentemente, os promotores do Gaecc (Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção), responsáveis pelas investigações do Caso Queiroz, obtiveram na Justiça o compartilhamento das informações do celular da ex-mulher do miliciano.

A conversa ocorre em 5 de dezembro de 2017, quando Jair Bolsonaro já se apresentava abertamente como pré-candidato à Presidência e Flávio já era cotado para disputar uma vaga ao Senado pelo Rio.

Queiroz procura Danielle e diz que precisava conversar com ela. A funcionária, que era nomeada desde 2007 no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj, pergunta: "É conversa boa ou ruim". Queiroz então demonstra que há preocupação por por parte do clã Bolsonaro de que o vínculo dela com o miliciano se tornasse público.

"Sobre seu nome... não querem correrem risco, tendo em vista que estão concorrendo e visibilidade que estão", afirma Queiroz. 

Danielle explica que os dois ainda são formalmente casados, mas que estavam "separados de corpos". E pergunta se isso poderia gerar problemas: "Você acha que vai pegar alguma coisa?".

Queiroz então reforça estar se referindo aos políticos da família Bolsonaro, sem citá-la nominalmente: "estão fazendo um pente fino nos funcionários e família deles", explica.

Por fim, Danielle pede que ele a mantenha no emprego. Queiroz mostra-se disposto a atender o pedido: "tentarei", responde, encerrando o diálogo. Ela permaneceu nomeada no gabinete de Flávio até novembro de 2018.

Hoje, no Palácio Alvorada, o presidente Jair Bolsonaro disse não ter "nada a ver" com a investigação sobre o filho mais velho.

"O Brasil é muito maior do que pequenos problemas. Eu falo por mim. Problemas meus podem perguntar que eu respondo. Dos outros, não tenho nada a ver com isso", disse o presidente, recomendando que os jornalistas procurassem o advogado de Flávio, Frederick Wassef.

COMENTÁRIOS

Nome:

Texto:

Máximo de caracteres permitidos 500/