
A uma plateia de empresários e executivos de grandes empresas em São Paulo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou na terça-feira (20) que o governo federal vai privatizar 17 empresas estatais neste ano. Dentre elas, a Casa da Moeda e os Correios. "Vamos acelerar as privatizações. Tem gente grande que acha que não vai ser privatizado e vai entrar na faca", afirmou Guedes. O ministro reiterou a meta que deu ao seu secretário de Desestatização, Salim Mattar, de privatizar US$ 20 bilhões neste ano.
Serão privatizadas: Casa da Moeda; Correios; Eletrobras; Telebras; Emgea (Empresa Gestora de Ativos); AGBF (Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias S.A); Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados); Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social); Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo); CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos); Ceasaminas (Centrais de Abastecimento de Minas Gerais); Trensurb (Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre), Codesa (Companhia Docas do Espírito Santo); EBC (Empresa Brasil de Comunicação); Ceitec (Centro de Excelência em Tecnologia Avançada); Lotex (Loteria Instantânea Exclusiva); Codesp (Companhia Docas do Estado de São Paulo).
O ministro afirmou, ainda, que o governo tem conversado com os Estados Unidos e a China em busca de acordos comerciais. "Tem uma competição [mundial] para fazer negócio com a gente e estamos em alta velocidade. Vamos dançar com os americanos e com os chineses", disse.
Volta da CPMF
O ministro da Economia também anunciou a volta de um imposto sobre transações financeiras nos moldes da antiga CPMF como substituto da oneração da folha de pagamento das empresas. Durante a campanha, Bolsonaro negou a volta da CPMF se vencesse as eleições, quando a possibilidade gerou incômodo na população.
A Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) foi uma cobrança que incidiu sobre todas as movimentações bancárias — exceto nas negociações de ações na Bolsa, saques de aposentadorias, seguro-desemprego, salários e transferências entre contas correntes de mesma titularidade — e vigorou no Brasil por 11 anos. Pelo período, o imposto arrecadou R$ 223 bilhões, e, apesar de ter sido criada para financiar a saúde, não havia essa obrigação na lei. Do montante, R$ 33,5 bilhões foram usados para financiar outros setores.
Sobre a nova CPMF, Guedes disse no evento que prefere “abraçar um imposto horroroso” e desonerar a folha de pagamento. “É o [ponto] controverso [da reforma tributária]. Vamos deixar esse dilema. Querem 20% de encargos trabalhistas e 13 milhões de pessoas sem emprego? Deixa do jeito que está. Eu preferiria não ter de recorrer a isso, mas acho a oneração de folha de pagamento um crime contra brasileiros”, afirmou.