
O estudante do curso de direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie que aparece em vídeo afirmando que a “negraiada vai morrer” foi suspenso nesta terça-feira (3) pela instituição em São Paulo. Ele também foi demitido do escritório de advocacia em que trabalhava como estagiário.
O vídeo, que viralizou nas redes sociais, mostra o eleitor do presidente Jair Bolsonaro (PSL) indo votar no segundo turno em Londrina, no Paraná. Ele afirma: “indo votar a ao som de Zezé, armado com faca, pistola, o diabo, louco para ver um vadio, vagabundo com camiseta vermelha e já matar logo. Tá vendo essa negraiada? Vai morrer! Vai morrer! É capitão, caralho”.
Após a repercussão do caso, a faculdade afirmou que “tais opiniões e atitudes são veementemente repudiadas” e “incitam a violência, com ameaças, e manifestação racista”. “Nossa Instituição, de imediato, instaurou processo disciplinar, aplicando preventivamente a suspensão do discente das atividades acadêmicas. Iniciou, paralelamente, sindicância para apuração e aplicação das sanções cabíveis, conforme dispõe o Código de Decoro Acadêmico da Universidade."
Ao saber do episódio, o escritório de advocacia em que o rapaz trabalhava desde julho como estagiário anunciou sua demissão. Em sua página oficial no Facebook, a empresa publicou uma nota de repúdio afirmando “o escritório repudia veementemente qualquer manifestação que viole direitos e garantias estabelecidos pela Constituição Federal”.
Também por meio de nota, o Ministério Público de São Paulo informou que a Promotoria de Direitos Humanos "requisitou a instauração de inquérito policial e também representou junto à comissão de ética da OAB, para apuração da conduta do estudante".
Protesto contra o racismo – Durante a manhã desta terça, dezenas de estudantes do Mackenzie protestaram contra o conteúdo do vídeo e pediram a expulsão do estudante, além de medidas de segurança por parte da universidade.
Segundo uma integrante do Coletivo Negro Afromack, que não quis se identificar por questões de segurança, os alunos estão muito preocupados com as declarações porque o rapaz aparece em outro vídeo com uma arma na mão.
“A gente está correndo risco de vida. A gente não pode ir para a faculdade com medo de morrer. A gente pede que ele seja expulso, porque mesmo suspenso ele poderia entrar na faculdade. Não dá para conviver com uma pessoa que fez isso. E ele não pode ser um advogado”, afirmou a estudante.
“Os próprios colegas do Direito que souberam do vídeo tomaram providências de acionar as instituições. Como tinha uma conotação racial, nós do coletivo tomamos frente do que estava acontecendo. Somos minoria da minoria dentro do Mackenzie e o que a gente pede é que os outros alunos que repudiam o ato se juntem com a gente para que isso não ocorra mais”, disse. Outro ato foi convocado para 19h desta terça.