
A presidente afastada Dilma Rousseff deixou o Palácio do Planalto com um discurso para a imprensa e outro para seus apoiadores, que se concentraram em frente ao Palácio. Nesta quinta-feira (12), ela foi afastada do cargo por até 180 dias para julgamento do processo de impeachment no Senado. Acompanhada pelo ex-presidente Lula e por ministros também afastados de seu governo, Dilma cumprimentou populares e recebeu um buquê de flores.
“Ao longo da minha vida enfrentei muitos desafios, enfrentei o desafio terrível e sombrio da ditadura, da tortura, enfrentei como muitas mulheres desse país a dor indizível da doença, o que mais dói nessa situação que estou vivendo agora, a inominável dor da injustiça, a profunda dor da injustiça, a dor da traição, a dor diante do fato que eu estou vivendo. São duas palavras terríveis, traição e injustiça, são talvez as mais terríveis palavras que recaem sobre uma pessoa e essa hora agora, esse momento, é o momento em que as forças da injustiça e da traição estão soltas por aí”, discursou.
Transmitida não só no Brasil, também para países de outros continentes, a declaração continuou em tom de resistência ao que chamou de golpe. “Estou pronta para resistir por todos os meios legais. Lutei minha vida inteira e vou continuar lutando. Eu sou a primeira mulher eleita presidenta da República, eu honrei os votos que as mulheres me deram. Eu fui a primeira mulher eleita presidenta da República, depois do primeiro operário eleito presidente da República, como primeira mulher, eu honrei as mulheres. Como qualquer pessoa humana, posso ter cometido erros, mas jamais cometi crimes”, disse.