
O juiz Sérgio Moro retirou o sigilo de interceptações telefônicas do ex-presidente Lula nesta quarta-feira (16) para divulgar um grampo que a Polícia Federal fez numa conversa entre o novo ministro da Casa Civil e a presidente da República, Dilma Rousseff, que também ocorreu nesta quarta. Moro justificou o seu motivo para a divulgação, considerada fora do comum num processo de investigação.
“A democracia em uma sociedade livre exige que os governados saibam o que fazem os governantes, mesmo quando estes buscam agir protegidos pelas sombras”, escreveu no despacho.
Confira a conversa:
- Dilma: Alô
- Lula: Alô
- Dilma: Lula, deixa eu te falar uma coisa.
- Lula: Fala, querida. Ahn
- Dilma: Seguinte, eu tô mandando o 'Bessias' junto com o papel pra gente ter ele, e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse, tá?!
- Lula: Uhum. Tá bom, tá bom.
- Dilma: Só isso, você espera aí que ele tá indo aí.
- Lula: Tá bom, eu tô aqui, fico aguardando.
- Dilma: Tá?!
- Lula: Tá bom.
- Dilma: Tchau.
- Lula: Tchau, querida.
O advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, disse que a divulgação do áudio da conversa é uma 'arbitrariedade' e estimula uma 'convulsão social'. Em nota, Dilma disse que processará o juiz Sérgio Moro. “Todas as medidas judiciais e administrativas cabíveis serão adotadas para a reparação da flagrante violação da lei e da Constituição da República, cometida pelo juiz autor do vazamento”, informou quinto e último item da sua resposta.
Confira a nota completa divulgada pela Presidência após a divulgação do grampo:
Nota à imprensa
Tendo em vista a divulgação pública de diálogo mantido entre a Presidenta Dilma Rousseff e o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cumpre esclarecer que:
1 – O ex-Presidente Lula foi nomeado no dia de hoje Ministro-Chefe da Casa Civil, em ato já publicado no Diário Oficial e publicamente anunciado em entrevista coletiva;
2 – A cerimônia de posse do novo Ministro está marcada para amanhã às 10 horas, no Palácio do Planalto, em ato conjunto quando tomarão posse os novos Ministros Eugênio Aragão, Ministro da Justiça; Mauro Lopes, Secretaria de Aviação Civil; e Jaques Wagner, Ministro-Chefe do Gabinete Pessoal da Presidência da República;
3 – Uma vez que o novo ministro, Luiz Inácio Lula da Silva, não sabia ainda se compareceria à cerimônia de posse coletiva, a Presidenta da República encaminhou
para sua assinatura o devido termo de posse. Este só seria utilizado caso confirmada a ausência do ministro.
4 – Assim, em que pese o teor republicano da conversa, repudia com veemência sua divulgação que afronta direitos e garantias da Presidência da República.
5 – Todas as medidas judiciais e administrativas cabíveis serão adotadas para a reparação da flagrante violação da lei e da Constituição da República, cometida pelo juiz autor do vazamento.
O Advogado Geral da União, José Eduardo Cardozo, disse à imprensa que o diálogo de Dilma, ao contrário do que diz a oposição, não estava dando a Lula um documento para ele se livrar de possível ação policial, e sim porque Lula estava com problemas para comparecer à cerimônia de posse marcada para o dia seguinte, esta quinta-feira (17).
De acordo com o advogado Wadih Damous, que é deputado federal pelo PT do Rio de Janeiro, não seria necessário que Lula estivesse com o termo em mãos caso o intuito fosse escapar de uma prisão já que sua nomeação como ministro já foi publicada no Diário Oficial da União antes mesmo do grampo.