Por: Redação,Atlanticanews
05/10/2019 - 11:18:42

Conforme Diógenes Fernandes, a família de Ana Cristina de Oliveira, de 34 anos, foi até a polícia após ela deixar de manter contato com os parentes. Segundo relato da família à polícia, em maio deste ano a mulher levou o homem até a casa dos parentes e ele se apresentou como delegado da Polícia Federal.

Dias depois da mulher apresentar Allan Júnior Fernandes à família, o casal foi embora da cidade com os filhos da mulher e, desde o dia 5 junho, os parentes não tinham notícia nenhuma dela e não conseguiam manter contato.

O delegado explicou que o desespero da mãe de Ana Cristina começou dias depois que ela viajou com os filhos e o homem. “A mãe contou que desde o início desse mês eles desligaram os telefones, não retornam qualquer contato. Além disso, o desespero aumentou quando a família dela descobriu tudo sobre o homem, que até então tinha se apresentado como delegado da PF”.

Homem estava foragido da Justiça

De acordo com o delegado Diógenes, o homem com quem Ana Cristina desapareceu com os filhos é Allan Júnior, de 28 anos, foragido da Justiça. O delegado relatou que o homem, natural do Paraná, é procurado por crimes em pelo menos 10 estados do país.

Ainda conforme o delegado, o suspeito, Allan Júnior, que estava preso na Cadeia Pública de Solânea desde agosto de 2018, saiu do local no dia 17 de maio deste ano. O homem teria sido liberado para ir ao um encontro com a mulher em um motel da cidade. “As investigações revelaram que quem foi buscar ele em um carro em frente à cadeia foi a Ana Cristina, a mulher que agora está desaparecida com ele e os filhos”, disse na ocasião.

Após sair da cadeia para o encontro com a mulher, Allan Júnior não retornou. “No dia seguinte, a direção da cadeia comunicou à delegacia da cidade o desaparecimento do homem e todos os seus pertences, além de uma arma de fogo, uma pistola .40, pertencente ao sistema Penitenciário, que sumiu da cadeia”, contou o delegado.

Investigações revelaram regalias para preso em cadeia

Após a fuga de Allan Júnior da cadeia de Solânea, a Polícia Civil instaurou um inquérito policial que, segundo o delegado, foi concluído no dia 19 de junho deste ano. “As investigações foram concluídas com o indiciamento do diretor da cadeia por crime de prevaricação, e com o indiciamento também do agente penitenciário plantonista, por crime de corrupção passiva e crime de facilitação de fuga dolosa”, salientou.

Segundo Diógenes Fernandes, foi comprovado que, além da fuga ter sido criminosa, a saída de Allan Júnior da cadeia foi facilitada por um agente penitenciário plantonista. “A fuga dele teve apoio de quem tinha o dever de custodiar e ainda foi fornecido um celular para ele sob a remuneração de R$ 1 mil, além de outros valores pagos pelo preso aos agentes penitenciários”.

Ainda de acordo com o delegado, fotos de Allan Júnior dentro da cadeia comprovaram que ele vestia até as roupas dos agentes penitenciários. “Todos os envolvidos com as regalias foram afastados da Cadeia Pública de Solânea pelo Sistema Penitenciário, em maio deste ano, do diretor aos agentes, todos os envolvidos. Agora a cadeia está sob um comando interventor”, informou.

Allan Júnior estava preso desde o dia 17 de agosto de 2018. Conforme o delegado, o homem foi preso em Solânea após várias denúncias recebidas pela Polícia Civil de que ele estaria praticando golpes na cidade e região.

“Allan é um estelionatário com excelência. Ele foi preso aqui em Solânea porque ele estaria praticando golpes, se passando por empresário e contratando moças fingindo oportunidade de emprego para elas. Ele usava o nome e documentos das vítimas para abrir contas em bancos e fazer empréstimos”, relatou Diógenes Fernandes.

Ao ser abordado pela polícia, Allan Júnior teria tentado fugir em um carro e, na fuga, acabou atropelando três pessoas. “Durante perseguição da polícia, ele atropelou três pessoas, entre elas uma idosa, e acabou sendo preso. Foi então que a gente descobriu que ele respondia por estelionato em vários lugares do país, havendo mandados de prisão contra ele em pelo menos 10 estados”, frisou.

Na época, o homem acabou preso em Solânea e foi autuado por estelionato e lesão corporal no trânsito. Ainda segundo o delegado, a prisão dos crimes na cidade acabou sendo revogada, mas o homem permaneceu preso pelos outros crimes cometidos em outros estados e pelos mandados que havia contra ele.

 

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