Por: Redação, com TV Santa Cruz
28/09/2017 - 06:46:06

Uma estudante universitária acusa cinco policiais militares de agressão no município de Ilhéus, no sul da Bahia. A jovem conta que os PMs invadiram o apartamento alugado onde ela morava, sem mandado judicial, e que a levaram à força para a delegacia.

A jovem suspeita que a ação tenha sido motivada por conta de uma confusão que ela teve com a proprietária do imóvel, que, segundo a estudante, exigiu que ela saísse do local sem dar um prazo suficiente para ela desocupar a casa. A proprietária seria parente de um dos PMs.

Bianca Meira relatou que estava tomando banho em casa, no dia 8 de setembro, quando os PMs entraram no imóvel e a agrediram. Ela disse ter levado tapas no rosto e afirmou que os policiais ainda apertaram seu pescoço.

"Empurraram a porta e eram cinco policiais militares, armados fortemente. Eu tive tempo de me enrolar na toalha e, quando fui perguntar o que estava acontecendo, um deles grudou no meu pescoço, apertou meu pescoço e começou a me agredir no rosto, com vários tapas no rosto. Vasculhou meu quarto, quebrou várias coisas minhas, vários objetos meus", declarou a estudante.

A estudante conta que dividia apartamento com outra jovem, que é filha da dona do imóvel. Afirmou que 20 dias após ter alugado o local para morar, acabou sendo despejada pela proprietária. Bianca disse que se recusou a sair de imediato, porque pagou 200 reais pelos 30 dias e tinha acabado de fazer a mudança de Itabuna para a casa em Ilhéus. Disse ainda que não foi assinado contrato pelas partes, mas que um advogado a tinha orientado antes da agressão a exigir seus direitos.

Ela relata que a dona do apartamento, que morava em Itamaraju e que estava de mudança para Ilhéus, não teria dado um prazo para a desocupação.

Ainda conforme a versão dela, após ter a casa invadida, os policiais a algemaram e a levaram para a delegacia na viatura junto com um colega que estava com ela e presenciou as agressões. A estudante foi ouvida e, em seguida, liberada.

Bianca denunciou o caso à Delegacia da Mulher e disse que vai procurar a Corregedoria da Polícia Militar para também prestar uma queixa. O advogado da estudante disse que os policiais, além de não terem autorização para entrar no apartamento locado pela estudante, estavam no bairro onde agentes de outra companhia atuam.

"Além da agressão verbal e de gênero, agressão física, ela tomou dois tapas, foi sufocada. Tem marcas no pescoço que ficaram claras no exame de corpo de delito. E tem também a confusão do público e do privado de um servidor público intervir numa situação fora da área em que eles deveriam estar trabalhando e isso se enquadra no crime de corrupção, porque é motivo pessoal, independente de favorecimento econômico. É um favorecimento familiar", disse o advogado de Bianca, João Lins.

O comando da 68ª CIPM, onde os policiais suspeitos de agredir a estudante atuam, informou que tomou conhecimento das denúncias e que foi aberta uma sindicância para apurar os fatos. O prazo para a conclusão do inquérito é de 30 dias, mas pode ser prorrogado por igual período.

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