Por: OAB Shaiane Corrêa
22/05/2026 - 11:05:10

Discussão buscou levantar os benefícios e desafios da mudança proposta pelo PL nº 1.838/2026, tanto pela ótica dos empresários quanto dos trabalhadores

Atualmente, 14,8 milhões de trabalhadores celetistas atuam em escala 6x1, enquanto 37,2 milhões cumprem jornada de 44 horas semanais. Enviado pelo Governo Federal ao Congresso Nacional em 14 de abril, o Projeto de Lei nº 1.838/2026 propõe o fim da escala 6x1, a redução da jornada para 40 horas semanais e a ampliação do descanso remunerado, sem redução salarial. Devido a sua relevância social, o tema ganha cada vez mais destaque na imprensa e nas redes sociais. Nesse contexto, a OAB Subseção Criciúma promoveu um debate técnico e plural, observando o assunto tanto pela ótica dos empresários, quanto a dos trabalhadores.

A conversa, que ocorreu durante o podcast “Direito de Saber”, foi conduzida pelo tesoureiro da OAB Criciúma, Maurício Rocha, e contou com a participação do presidente da ACIC, Franke Hobold; do advogado trabalhista Rodrigo Custódio de Medeiros; e da vice-presidente da Comissão da Advocacia Atuante na Justiça do Trabalho da Subseção, Tairine Santos. Entre os temas discutidos neste cenário, estiveram a pejotização das profissões, a escassez de mão de obra, os desafios da redução da jornada para microempresas e os fatores psicossociais relacionados ao trabalho.

Na avaliação do presidente da ACIC, a discussão exige mais tempo de maturação no Congresso e no setor produtivo. Ele destacou o impacto financeiro dessa alteração para a indústria, além da falta de mão de obra enfrentada pelo Brasil e o receio de que mudanças na jornada possam agravar esse cenário.

“São duas discussões em uma: a eliminação da escala 6x1 e a redução da jornada. A relevância da pauta exige mais tempo hábil para que o Congresso e os empresários possam discutir qual é o verdadeiro impacto de ambas as mudanças na economia. Por estarmos em ano eleitoral, estão levantando essa pauta de forma imprudente e apressada, sem o planejamento necessário”, avalia Hobold.

Para o tesoureiro da OAB, o debate sobre o impacto financeiro da proposta é necessário, mas não pode ser conduzido a partir de interesses políticos ou econômicos como foco central. “Se não levantarmos esse debate agora, nunca vamos evoluir o sistema trabalhista, porque sempre haverá ressalvas em relação a essa modernização, assim como houve quando o regime de escravidão foi abolido. É preciso, sim, discutir o impacto financeiro da alteração da jornada, mas sem colocar como foco central o interesse capital e político de ambos os lados”, afirma.

A jornada em outros países

A jornada de 44 horas semanais é amplamente utilizada no Brasil desde a Constituição Federal de 1988. Países como Estados Unidos, Equador e Venezuela já adotam jornadas reduzidas há alguns anos. O Chile, por sua vez, iniciou um processo de redução progressiva, com meta de alcançar 40 horas semanais até 2028 e incentivo à adoção da escala 4x3, com três dias de descanso.

Nesse sentido, Medeiros observa que, apesar de o PL ser apresentado como tal apenas em 2026, o debate público sobre o tema vem ocorrendo desde 2025, a partir de uma proposição da deputada federal Érika Hilton. Para ele, o histórico de quase 40 anos do modelo atual reforça a necessidade de enfrentar a discussão. “Vejo que houve tempo suficiente para termos uma noção dos benefícios e dos desafios dessa mudança, uma vez que o regime atual foi utilizado por quase 40 anos. Se protelarmos um tema tão relevante e importante para a sociedade, nunca mudaremos nada”, pontua.

O advogado também defende que os trabalhadores brasileiros possuem insegurança em relação à vinculação CLT, uma vez que atividades informais, os conhecidos “bicos”, podem render valores semelhantes com menor tempo de dedicação. Nesse contexto, a redução da jornada poderia contribuir para diminuir a evasão de mão de obra.

Saúde mental e psicossocial

Ainda no debate, a vice-presidente da Comissão da Advocacia Atuante na Justiça do Trabalho da Subseção reforça que a discussão precisa considerar também a saúde mental e o impacto psicossocial do trabalho. “É preciso debater, também, os fatores que ampliam o adoecimento psicossocial. Esse adoecimento não diferencia as atividades domésticas das atividades realizadas em fábricas, escritórios, comércios e etc. Hoje, observamos um adoecimento da sociedade, um cansaço ampliado”, afirma.

Ao promover um debate técnico e plural, a OAB Subseção Criciúma reforça seu compromisso com a informação qualificada e com a construção de soluções que impactam diretamente a sociedade. O terceiro episódio do “Direito de Saber” está disponível para quem deseja consumir o tema na íntegra e pode ser acessado pelos seguintes canais: 

 

Youtube: https://youtu.be/VSXAnKX3Dn8

Spotify: https://open.spotify.com/episode/2WZ6qtIH2tcYmNonp7PATR?si=0IwlK-3VR9aG1rUY2rK_9Q

 

Sobre a OAB Subseção Criciúma

OAB Subseção Criciúma é uma instituição com mais de 45 anos de história, dedicada à defesa da advocacia e à promoção da justiça. Fundada em 1977, cresceu com a missão de preservar a ética, a lei e os direitos de todos os cidadãos. Por meio de comissões temáticas, eventos e parcerias, atua de forma ativa e acolhedora na sociedade, fortalecendo a advocacia e promovendo o bem-estar social.

 

Texto: Shaiane Corrêa

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