
Os últimos dias mostraram uma rápida evolução na epidemia de coronavírus, que se espalha cada vez mais pela China, pelo restante da Ásia e começa a preocupar outros países. Já são mais de 2,8 mil casos confirmados, com 81 mortes. Em Pequim, capital da China, o clima é de medo. As pessoas têm evitado sair de casa e o uso de máscaras é uma constante. A cidade já teve 72 casos confirmados.
A brasileira Rafaela Dias mora em Pequim há dois anos e estuda na Beijing Sports University. Segundo ela, a população está preocupada com o vírus e os constantes avisos do governo na tentativa de acalmar a população não têm adiantado.
“Você vê muita diferença na rua. Já não tem tantos carros nem tantas pessoas. O governo sempre manda mensagem dizendo para ninguém entrar em desespero, que eles vão resolver a situação”, disse a estudante. “E nem a poluição, que é alta aqui, faz tantas pessoas usarem máscaras. Mas, por conta do vírus, todo mundo está de máscara. É uma cena de filme mesmo. As pessoas estão com medo”, acrescentou a jovem, que também adotou a máscara como item obrigatório.
Rafaela mora na universidade e a recomendação é que os estudantes não deixem o campus nem para comprar comida. Eles estão sendo orientados a comprar por um aplicativo de entrega de lanches e outros itens. “Foi essa a recomendação que eles deram para a gente, que era mais arriscado sair do que vir uma pessoa entregar as coisas no portão”. E no caso de estudantes e professores que querem entrar na universidade, são realizados alguns testes rápidos para verificar a saúde dessas pessoas. Caso a pessoa tenha vindo de outra cidade, a recomendação da universidade é de isolamento total por, pelo menos, dez dias.
O governo adiou o início das aulas e a circulação de ônibus para outras cidades está suspensa. “Para pegar o avião estão medindo a temperatura das pessoas antes de embarcar, nos trens também. E todo mundo usando máscara”, disse a estudante.
A situação de Raif Alves é diferente. O brasileiro mora e estuda em uma universidade na cidade de Hangzhou, a 1,3 mil km de Pequim, mas deixou o país em 20 de janeiro para visitar a família no Brasil. Deixou a China alheio aos perigos do vírus, que ainda crescia. Há uma semana, eram pouco mais de 200 casos confirmados. Raif tem passagem marcada para voltar à Ásia em 17 de fevereiro, mas não tem certeza se pegará esse voo.
“O meu orientador da universidade mandou mensagem dizendo para a gente se manter longe, não voltar para a universidade tão cedo. Minha passagem está para 17 de fevereiro. Dependendo de como as coisas estiverem até lá, considero alterar”.
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