A prefeitura de Santa Cruz Cabrália, extremo sul da Bahia, vai ter que demolir um monumento que representa a primeira missa do Brasil, em 1500. As esculturas, que são ponto turístico, foram construídas sem licença ambiental numa Área de Preservação Permanente (APP), às margens da BR-367, de acordo com o pedido protocolado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Denit) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Ipahn).
.jpg)
O pedido de demolição foi feito em 2006 pelos órgãos. A prefeitura tem o prazo de 30 dias para fazer a demolição. A Justiça estipulou multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento do prazo. A prefeitura disse que vai recorrer.
.jpg)
O prefeito da cidade à época da construção do monumento, José Ubaldino Alves Pinto, foi condenado a pagar uma multa no valor de R$ 50 mil por dano moral ambiental. Ele disse que ainda não foi notificado, mas que também vai recorrer da decisão.
O monumento foi instalado no local para fazer uma divisa entre a área indígena de Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália, e o município de Porto Seguro. Segundo o secretário de Infraestrutura de Santa Cruz Cabrália, Geraldo Gordilho, "existia uma polêmica da divisa entre os municípios”, e a prefeitura colocou um marco divisório, “identificando o início da área indígena e, baseado naquele marco, o prefeito da época resolveu enfatizar isso e criar um monumento", disse.
As esculturas, feitas com cimento e cerâmica, foram esculpidas pela artista plástica Bernadete Varela e representam o padre jesuíta Anastácio, um outro jesuíta, o duque Alorino Miguel, um soldado fazendo sua proteção e índios ao redor. A decisão de demolição surpreendeu a comunidade indígena e o comércio da região.