Por: Revista Veja
01/11/2014 - 21:17:08

O dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2014 está chegando, será nos dias 8 e 9 de novembro, e o que o estudante mais quer é se sair bem em todas as matérias. Como a redação representa 20% da nota final, aqui vão algumas dicas para escrever uma nota 1.000!

Uma boa nota é fundamental para conquistar uma vaga em universidades federais, estaduais e até privadas que usam o Enem como processo seletivo.

Em 2013, das 5.049.248 redações corrigidas, 106.742 receberam nota zero. Pouco menos de 33.000 estavam em branco e cerca de 73.000 foram anuladas por desrespeitarem alguma norma da avaliação. Por outro lado, apenas 481 conquistaram a tão sonhada nota 1.000. 

Acompanhe:

1. Domínio da norma padrão da língua escrita

Nessa competência, o avaliador espera que o candidato demonstre conhecimento da modalidade escrita formal da língua. Em outras palavras, que ele saiba que existe diferença entre a fala e a escrita. 

“Existem algumas palavras que usamos no dia a dia que a norma culta não reconhece na escrita padrão”, diz Díran Ferreira, professor de língua portuguesa e redação do Cursinho da Poli. Como exemplo podemos citar o verbo “ter” no sentido de “existir”, que é muito usado em conversas informais, mas que na redação deve dar lugar a “existir” ou “haver”.

O texto dissertativo-argumentativo precisa ser claro, objetivo e direto. “É preciso ficar atento principalmente à obediência às regras de concordância nominal e verbal, pontuação, flexão de nomes e verbos e grafia das palavras”, diz Francisco Platão Savioli, supervisor de português do Anglo Vestibulares.

2. Compreensão da proposta e escrita de um texto dissertativo

Nessa segunda competência, o aluno é avaliado de acordo com a compreensão da proposta de redação – esta exige que o candidato escreva um texto dissertativo-argumentativo, um tipo de texto que demonstra a verdade de uma ideia ou uma tese.

“A 'fuga do tema' é um dos erros mais comuns e pode render nota zero na redação”, diz Francisco Platão Savioli. O professor conta que a maioria dos alunos falha em dois aspectos: não lê por completo todos os textos de apoio ou a proposta e se concentra apenas em um dos itens pedidos.

Os textos de apoio servem apenas para despertar uma reflexão sobre o tema. É preciso evitar ficar preso às ideias apresentadas neles. “Pense bem sobre o tema que foi proposto e decida como abordá-lo, qual será seu ponto de vista e como irá defendê-lo”, diz Savioli. 

3. Defender um ponto de vista e argumentar bem

O terceiro aspecto a ser avaliado é a forma como o participante da prova seleciona, relaciona, organiza e interpreta informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa do seu ponto de vista. A ideia a ser defendida precisa estar clara no texto e é necessário trazer argumentos que justifiquem a sua posição em relação à temática proposta na redação.

"O estudante deve trazer um repertório amplo para que consiga sustentar seus argumentos", diz Francisco Platão Savioli.  “A ideia é que a redação não desperte nenhum tipo de contestação ao leitor”, diz Savioli.

4. Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos

Nessa competência, o avaliador irá julgar a estrutura do texto e apresentação da argumentação. Os mecanismos linguísticos, que são basicamente palavras que conectam as declarações, são essenciais para desenvolver as ideias sobre o tema proposto de maneira clara e lógica.

As frases e os parágrafos devem estabelecer uma relação entre si e garantir uma sequência coerente do texto. “Nesse caso, os conectivos como 'e', 'também', 'mas' e 'porque' são grandes aliados”, diz Díran Ferreira.

Para garantir a coerência do texto, também é preciso ficar atento à utilização de preposições, conjunções, advérbios e locuções adverbiais. Esses recursos possibilitam uma correlação entre orações, frases e parágrafos. 

5. Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado

A última competência avalia se o candidato apresenta uma proposta de intervenção ao problema em questão. Nessa parte, é fundamental detalhar meios que respeitem os direitos humanos, o que implica em não romper com valores como cidadania, liberdade, solidariedade e diversidade cultural.

“Muitos candidatos resumem essa parte do texto em um desejo ou um aconselhamento, sugerindo que o governo ou a sociedade faça algo, entretanto esse procedimento não é suficiente.”, diz Francisco Platão Savioli.

O professor alerta que é importante que o candidato trabalhe detalhadamente alguns aspectos: escrever exatamente o que deve ser feito, por quem deve ser feito, como deve ser feito, para quem deve ser feito e para que deve ser feito.

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