Pelo casal de pastores Otto e Ernanda Saffran, com o objetivo de acolher crianças em situação de risco social, o que inclui vítimas de maus tratos e/ou abuso sexual. O projeto deriva de uma iniciativa anterior, de 2007, em Santa Cruz Cabrália, onde o casal havia começado desenvolver as atividades.
De acordo com o pastor Otto, o Ampare tem um caráter interdenominacional, apesar de ser vinculado a Igreja Pentecostal Cristã, sediada no município vizinho. “Abrigamos crianças de zero a 18 anos, de ambos os sexos, de qualquer naturalidade. Cumprimos tudo que está estabelecido no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e também pelo Conselho Nacional de Assistência Social”, informando que todas as crianças estão matriculadas na rede pública de ensino e que a instituição desenvolve projetos para cursos profissionalizantes internos, além de buscar parcerias pelo Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). No tocante a atividades esportivas, o religioso destacou que existe uma escolhinha de futebol na sede do Ampare II, localizada na Agrovila, e que as crianças participam de atividades de lazer, a exemplo de passeios nas praias, e que uma vez ao ano algumas selecionadas por mérito (bom comportamento e boas notas) são levadas para uma viagem cultural a Belo Horizonte (MG).
Acompanhamento
Em relação à saúde, Otto afirma que as crianças são atendidas pela rede pública, embora haja a colaboração de uma médica lotada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Baianão. “O acompanhamento é feito pelo pessoal de alta complexidade do município, mas queremos, no próximo ano, manter uma equipe multidisciplinar, tendo em vista que contamos com o apoio de uma psicóloga, que é voluntária, e que pretendemos contratar uma assistente social”, ressaltando que o Ampare funciona em dois prédios, sendo um no bairro Village, na Orla Norte, e outro na Comunidade Agrovila. “Atendemos, considerando filhos de voluntários e crianças institucionalizadas, 48 crianças, sendo 20 no Ampare I e 27 no Ampare II. Na sede do Village, abrigamos meninas de seis aos 18 anos e crianças de ambos os sexos de zero a seis anos. Já na Agrovila, são meninos de seis aos 18 anos”, frisando que boa parte desses menores são filhos de pais dependentes químicos e/ou abusivos. “Quando o Conselho Tutelar detecta uma criança em situação de risco social, o órgão aciona a Vara da Infância e Juventude, que desabriga a criança que sofre maus tratos ou abuso sexual da família e a abriga numa instituição, no caso, o Ampare. O processo é longo e burocrático. Entretanto, se não houver condições de reintegrar a criança no meio familiar, ela poderá ser inscrita no Cadastro Nacional de Adoção”, explica.
Saffran esclarece que o Ampare é uma entidade reconhecida como de Utilidade Pública Municipal, que entrou este ano no censo do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) do governo federal, e que a partir do dia 15 de janeiro de 2014 deverá receber o registro no Cadastro Nacional de Assistência Social. “Estaremos habilitados a firmar convênios com o poder público”, enfatizando a transparência como um dos princípios da instituição. “A nossa contabilidade está aberta a quem se interessar pela destinação dos recursos que captamos”, pontua.
Histórias comoventes
O pastor Otto narrou algumas histórias comoventes de crianças acolhidas pelo Ampare. “Tenho duas meninas, sendo uma de sete anos e a outra de nove, que eram vendidas pelo pai, por R$ 0,50, para que ele usasse no consumo de álcool e drogas. Elas chegavam a ter cinco relações sexuais por dia. O irmão mais novo delas, de quatro anos, ficou três dias amarrado, apanhando do pai. A maior parte dos casos está ligada ao crack. Esta é a realidade cotidiana, infelizmente”, lamenta.
Apesar de viverem abusos tão chocantes, muitas dessas crianças expressam carência de amor. “O vínculo com os pais é tão forte, que elas têm a capacidade de esquecer a violência e sentir saudade deles”, conclui Saffran.
Quem quiser contribuir com esse trabalho social ou obter mais informações ao seu respeito, poderá acessar o site ampareps.tk ou fazer contato pelos telefones (73) 3679-2583, (73) 9156-3108 ou (73) 8855-0743 ou ainda visitar os endereços do Ampare I, situado na avenida das Sucupiras, nº 09, quadra BB, Village III ou no Ampare II, localizado na rua do Campo, sem número, Comunidade Agrovila.
Por Porto na Hora
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