
Nem com pesquisa, nem substituindo um produto por outro. Nos supermercados não deu para escapar: a alta de preços foi generalizada.
O IBGE divulgou nesta quinta-feira (7) o índice que mostra como se comportaram os preços de tudo que a maioria dos brasileiros consome. E foi a maior inflação dos últimos dez anos para um mês de janeiro.
Nem com pesquisa, nem substituindo um produto por outro. Nos supermercados não deu para escapar: a alta de preços foi generalizada.
Como não dá para ficar sem comida e bebida, o consumidor pagou o preço. E não foi pouco. Desde 2003, esses itens não subiam tanto em um mês de janeiro. Sozinhos, os alimentos representam mais da metade da inflação neste começo de ano.
O Índice Oficial da Inflação (IPCA) ficou em 0,86%. É a maior alta mensal desde 2005, e a maior para um mês de janeiro, nos últimos dez anos.
Só não foi pior porque o desconto nas contas de luz, que começou a valer na última semana do mês, ajudou a segurar o resultado.
Em entrevista ao repórter João Borges, da Globo News, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, reconheceu dificuldades para controlar os preços.
“A inflação no curto prazo está resistente. O Banco Central tem demonstrado essa preocupação. Nós veremos uma inflação em 12 meses, acumulado em 12 meses, ainda alta nos primeiros seis meses do ano. A partir do segundo semestre de 2013 nós veremos o declínio dessa inflação em 12 meses no país”, disse Tombini.
A inflação vem subindo desde agosto do ano passado. Em 12 meses, acumula alta de 6,15%, bem perto do teto da meta do governo.
“Parece que a meta não é 4,5, parece que a meta é mais ficar abaixo de 6,5, não importa o número, que é um posicionamento ligeiramente diferente, talvez, da concepção original”, afirma o ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco.
O presidente do BC reafirmou o compromisso de manter a inflação na meta. “Compromisso nosso é total em relação à inflação. Vamos trazer de volta a inflação em uma convergência mais forte em relação a nossas metas”, acrescentou Tombini.
O economista Cláudio Frischtak defende uma mudança nas políticas de estímulo à economia.
“Hoje, o nosso modelo calçado no consumo, somente no consumo, está esgotado. Nós temos que esgotar esse modelo para o estímulo do investimento, melhorarmos a produtividade e focarmos na educação, na qualificação dos trabalhadores”, opina Frischtak.
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