Por: ASCOM/SEI
08/03/2012 - 00:00:00

A taxa de desemprego feminino diminuiu num ritmo superior aos homens, conforme aponta o Especial Mulher (2010-2011) da Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Salvador (PEDRMS), realizada pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria do Planejamento (Seplan), em parceria com o Dieese, a Fundação Seade e a Secretaria do Trabalho, Emprego Renda e Esportes (Setre).

A taxa de desemprego das mulheres passou de 20,5% para 18,6%, da População Economicamente Ativa (PEA) feminina, entre 2010 e 2011. No período em questão, a taxa de desemprego masculina diminuiu de 12,9% para 12,2% da sua respectiva PEA. Contudo, em 2011, as mulheres seguiram sendo minoria entre os ocupados (46,0%) e maioria entre os desempregados (58,4%). A taxa de participação feminina também permaneceu abaixo na comparação com a masculina, 49,3% e 64,9% respectivamente.

A secretária de Política para as Mulheres (SPM), Vera Lúcia Barbosa, vê como positiva a sistematização dos dados: "Mesmo que esse não seja o retrato que gostaríamos de ver, nos ajudam ao comprovar a desigualdade e apontar para a necessidade de ações que promovam a ascensão da mulher no mercado de trabalho".

O economista da PED, Luiz Chateaubriand, explana que:"O quadro de inferioridade das mulheres persiste nas condições de trabalho, independente do nível de instrução ou condição hierárquica. O número de mulheres desempregadas diminuiu mais que o dos homens, atenuando, mas não aniquilando a desigualdade".

Já Ana Margaret, do Dieese, endossa a análise ao explicar que a redução do número de mulheres desempregadas se deve ao fato da mesma ter saído da PEA: "Não está relacionado à geração de empregos, que cresceu, principalmente em serviços domésticos, onde ganham menos que os homens". A economista do Dieese lembra que as mulheres perderam mais espaço nos setores mais estruturados, como serviços, em especial no público onde os salários são maiores.

Recorde

No geral, o mercado de trabalho da região manteve tendência de desempenho positivo em 2011, tendo o número de desempregados no total reduzido para 26 mil pessoas (15,3% da PEA), atingindo o patamar mais baixo da série histórica da pesquisa, iniciada em dezembro de 1996. Por outro lado, o rendimento médio real dos ocupados apresentou expressiva retração de 7,5%, interrompendo a trajetória de recuperação dos últimos anos.

Rendimento

Em termos de rendimento, o salário médio feminino em 2011 é de R$ 886,00 e masculino R$ 1.191,00. O rendimento médio por hora auferido pelas mulheres correspondeu a 83,4% do masculino, tendo na indústria a maior diferença (67,6%) e serviços a menor (82,8%). O rendimento médio das mulheres assalariadas correspondeu a 88,4% do rendimento dos homens; entre autônomos, a 61,0%; e entre os empregadores, a 78,9%.

Participação por setor

O acréscimo no nível ocupacional foi possível de ser observado em quase todos os setores de atividade econômica, excetuando-se o de serviços e com destaque para o da indústria. Nesse último, o contingente feminino apresentou importante crescimento de 16,7%, enquanto o do segmento masculino foi menor (8,1%). Nos serviços domésticos, reduto feminino por excelência, houve ampliação de 15,7% no número de mulheres ocupadas.

Quanto às formas de inserção no mercado de trabalho, o aumento no nível ocupacional em 2011 ocorreu, sobretudo, no assalariamento do setor privado com carteira de trabalho assinada: crescimento de 5,3% feminino e de 8,2% no masculino. Dentre as demais modalidades de inserção, destaca-se o crescimento de 5,4% no número de mulheres no trabalho autônomo, aumento mais elevado que o observado para os dos homens (2,1%), e a ampliação de 15,7% no contingente de trabalhadoras domésticas. Por outro lado, a redução de 17,7% entre as mulheres empregadoras foi mais elevada que a dos homens na mesma condição (15,6%).

Cabe salientar a elevada redução ocorrida no assalariamento no setor público, que atingiu tanto aos homens (16,5%) quanto às mulheres (15,6%), com impacto negativo na estrutura ocupacional feminina, dado que o setor público se configura num importante espaço de inserção das mulheres, e é a posição ocupacional que lhes garante os maiores rendimentos médios.

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