Por: Redação, com G1 BA
27/03/2017 - 22:48:09

As vendas de carne no mercado varejista da Bahia tiveram uma queda de até 25% após a deflagração da operação Carne Fraca, há dez dias, segundo dados da Associação dos Distribuidores e Atacadistas do estado (ASDAB). O órgão ainda prevê aumento no desemprego no setor por conta do impacto negativo da ação no mercado.

A operação da Polícia Federal apura o envolvimento de fiscais do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) em um esquema de liberação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos de outros estados. Os estabelecimentos são suspeitos de vender produtos adulterados e até carne estragada.

"Há uma oferta bem maior de produtos no mercado interno e, com isso, os preços tenderão a cair. O aumento será muito bom para o consumo, mas, para o produtor, será muito ruim. Então, já estima-se aí que o número de desempregados em curto prazo da cadeia fique em torno de 7% a 10% ", afirmou o presidente da ASDAB, Antônio Cabral.

Segundo o órgão, os supermercados mantêm produtos de marcas investigadas nas prateleiras, mas mesmo com promoções que chegam a 30% as vendas despencaram nos últimos dias.

Atualmente, o parque industrial baiano registrado no Serviço de Inspeção Estadual (SIE) é composto por 238 indústrias, sendo 38 matadouros frigoríficos (bovinos, suínos, caprinos, ovinos e aves), 141 laticínios, 23 de produtos cárneos, 11 de pescado, 13 de ovos e 12 de mel.

Em Itapetinga, no sudoeste do estado, onde fica o maior rebanho bovino da Bahia, frigoríficos que exportam carne para países asiáticos estão preocupados com as restrições. Um deles, que está em atividade há quatro anos e gera mil empregos diretos, começou a exportar a carne para Hong Kong e para a África há quatro meses e espera que a polêmica que envolve a produção de carne seja superada para ampliar os negócios para o Líbano e outros países do Oriente Médio.

Operação – Desde que as investigações vieram a público, ao menos 22 países e a União Europeia, compradores da carne brasileira, anunciaram algum tipo de restrição à importação, o que levou à queda no valor diário das exportações. A China, maior comprador da carne brasileira em 2016, suspendeu as importações, mas já retomou as compras, assim como Egito e Chile.

O Ministério da Agricultura também suspendeu a licença de exportação dos 21 frigoríficos investigados pela Polícia Federal na operação – enhum deles fica na Bahia. Seis dos 21 foram interditados.

 

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