Por: Amanda Maria Azevedo da Conceição Unesulbahia
13/01/2026 - 11:20:45

Especialista destaca que conscientização precisa ir além das campanhas e se traduzir em respeito, escuta e cuidado diário.

A campanha Janeiro Branco volta a chamar a atenção da sociedade para a importância da saúde mental e do bem-estar psicológico. Em 2026, o movimento traz como tema “Paz. Equilíbrio. Saúde Mental”, reforçando a necessidade de ações que promovam não apenas informação, mas também acolhimento e cuidado efetivo com pessoas em sofrimento psíquico.

 

Segundo o psiquiatra e  professor da Unesulbahia, Marcelo Niel, o Janeiro Branco representa uma oportunidade estratégica para ampliar o debate sobre saúde mental e orientar a população sobre a identificação precoce de problemas psicológicos e psiquiátricos. “É um momento propício para falar com pacientes e com a população em geral sobre como reconhecer sinais de adoecimento mental e onde procurar apoio”, afirma.

 

No entanto, o professor faz um alerta importante: falar sobre saúde mental apenas em um período específico do ano, sem mudança de atitudes ao longo do tempo, esvazia o propósito da campanha. “Não podemos perder de vista que, na prática, ainda vemos muito preconceito, descaso e desrespeito com pessoas que estão em sofrimento psíquico. Campanhas pontuais não têm valor se continuam existindo atitudes preconceituosas no dia a dia”, destaca.

 

 

*Como identificar sinais de sofrimento emocional*

 

De acordo com Marcelo Niel, alguns sinais precoces indicam que a saúde mental pode não estar bem e merecem atenção. “Sintomas como sensação constante de cansaço e fadiga, dificuldades para dormir ou sono excessivo, alterações no apetite, perda de interesse por atividades antes prazerosas, ansiedade excessiva, irritabilidade, explosões de humor e isolamento social devem ser acompanhados”, ressalta. 

 

 

*Falar sobre saúde mental reduz o preconceito?*

 

Para o especialista, a resposta é complexa. “Sim e não”, resume. Marcelo explica que a disseminação de informações corretas pode, sim, reduzir estigmas e facilitar a busca por ajuda profissional. Por outro lado, ele critica campanhas que não se traduzem em práticas humanizadas no atendimento em saúde.

 

“O que vemos muitas vezes são ações alegóricas que não refletem a forma como essas pessoas são recebidas nos serviços de saúde. Ainda falta diálogo, escuta e acolhimento. Precisamos repensar nossas práticas e a formação de profissionais que não estão devidamente preparados para lidar com o sofrimento humano”, pontua.

 


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